Era noite de terça-feira e eu andava atordoada, zonza pelas calçadas frias e desertas. Se fosse uma noite comum eu teria medo, já era bem tarde, mas naquela noite o único medo era da minha própria companhia. Já tinha o caminho certo para ir: o bar iluminado que ficava bem no centro, próximo ao pequeno lago. Mesmo com um turbilhão de pensamentos, não pude deixar de pensar na idéia nada perfeita de construir-se um bar perto de um lago, mas... As luzes do lado de fora do bar deixava-me tonta, mas seu interior era cômodo, convidativo e meu corpo arrastou-se para dentro, ainda esbarrando em alguém que passava.
Whisky com gelo, pedi ao sentar. O barman serviu-me, desviando o olhar para um senhor que o chamava na mesa vizinha, mas antes que ele virasse totalmente, empurrei a bebida adentro num gole só. Mais uma dose mais forte, por favor, porque hoje tive um dia difícil! Ele me olhou e sorriu enquanto colocava outro copo de whisky com gelo na minha frente. Nunca pensei que um dia daria explicações à um barman. Sou uma mulher adulta independente e tenho todo o direito de beber quantos copos de whisky quiser, até mesmo uma garrafa inteira!
Mas meu mau-humor temporário passou na mesma velocidade em que veio. Era a imagem daquele ser bem no fundo do bar que acarinhava meus olhos, desmanchando cada pedaço do topor que vivia há tempos em minha alma ou seria a bebida que já chegara em minha cabeça, formigando cada um dos meus pensamentos?
Suas mãos deslizavam suavemente pelo piano em sintonia com as palavras que saíam de suas bocas como mel. Que canção era aquela? Não conseguia ouvir! Como estava arrependida de ter bebido aquele whisky e não saborear cada nota musical que saía daqueles lábios singelos. Poderia ter apenas chorado um pouco e depois engolido o choro entre vinhos e cigarros baratos no meu apartamento, assistindo pela milésima vez “Lendas da Paixão”. Como? Enlouqueci de vez. Não bebo vinhos baratos, sou contra filmes “mamão com açúcar” e não, eu não fumo!
Por fim aquela melodia chegou aos meus ouvidos. Sim! Ele levantou-se e veio cantar na mesa em que estava. Poderia me apaixonar por cada pedacinho daquele corpo, poderia ser dele o máximo de amor que o meu coração poderia dar, mas, o que ele fazia ali cantando para mim? Hesitei e não soltei as milhares de palavras pousadas em minha boca que só esperavam a oportunidade se serem jorradas de uma vez só a qualquer um que ousasse tirar-me do seu silêncio habitual.
Mas aqueles olhos verdes cheios de malícia e aquelas mãos que seguravam as minhas mãos ao som daquela linda melodia fizeram-me tomar uma decisão: olhei para o barman, entreguei-lhe uma nota qualquer que tirei da bolsa e corri apressada, derrubando uma chuva de lágrimas por onde passava. Cheguei no apartamento, enchei meia taça de vinho, olhei-a mas não tomei. Decidi apenas pegar meu edredom e dormir. A vergonha me assustava quando de repente ouvi alguém bater na porta. O que mais poderia acontecer?
Arrastei-me até a porta, mas não sozinha, a ressaca fazia-me companhia. Hesitante abri a porta e para minha surpresa, o rapaz boêmio do bar, estava ali, parado, com aquele lindo sorriso torto. Esquecestes teu coração ao sair, disse ele entregando-me uma caixa, trouxe para você. Seus olhos eram calorosos e cheios de mistério e enrubesci, sem graça. Ele me beijou até que eu adormecesse, mas quando o sol já me dava seu bom dia, meus lençóis estavam vazios. Sua música me abraçou, suavizadas com as notas angelicais daquele piano, perfurando minha tranqüilidade já ausente.
Voltei ao meu transe inicial, sorrindo com mais freqüência do que me é possível, em êxtase. Aquele foi meu primeiro encontro com o moço do bar.
Whisky com gelo, pedi ao sentar. O barman serviu-me, desviando o olhar para um senhor que o chamava na mesa vizinha, mas antes que ele virasse totalmente, empurrei a bebida adentro num gole só. Mais uma dose mais forte, por favor, porque hoje tive um dia difícil! Ele me olhou e sorriu enquanto colocava outro copo de whisky com gelo na minha frente. Nunca pensei que um dia daria explicações à um barman. Sou uma mulher adulta independente e tenho todo o direito de beber quantos copos de whisky quiser, até mesmo uma garrafa inteira!
Mas meu mau-humor temporário passou na mesma velocidade em que veio. Era a imagem daquele ser bem no fundo do bar que acarinhava meus olhos, desmanchando cada pedaço do topor que vivia há tempos em minha alma ou seria a bebida que já chegara em minha cabeça, formigando cada um dos meus pensamentos?
Suas mãos deslizavam suavemente pelo piano em sintonia com as palavras que saíam de suas bocas como mel. Que canção era aquela? Não conseguia ouvir! Como estava arrependida de ter bebido aquele whisky e não saborear cada nota musical que saía daqueles lábios singelos. Poderia ter apenas chorado um pouco e depois engolido o choro entre vinhos e cigarros baratos no meu apartamento, assistindo pela milésima vez “Lendas da Paixão”. Como? Enlouqueci de vez. Não bebo vinhos baratos, sou contra filmes “mamão com açúcar” e não, eu não fumo!
Por fim aquela melodia chegou aos meus ouvidos. Sim! Ele levantou-se e veio cantar na mesa em que estava. Poderia me apaixonar por cada pedacinho daquele corpo, poderia ser dele o máximo de amor que o meu coração poderia dar, mas, o que ele fazia ali cantando para mim? Hesitei e não soltei as milhares de palavras pousadas em minha boca que só esperavam a oportunidade se serem jorradas de uma vez só a qualquer um que ousasse tirar-me do seu silêncio habitual.
Mas aqueles olhos verdes cheios de malícia e aquelas mãos que seguravam as minhas mãos ao som daquela linda melodia fizeram-me tomar uma decisão: olhei para o barman, entreguei-lhe uma nota qualquer que tirei da bolsa e corri apressada, derrubando uma chuva de lágrimas por onde passava. Cheguei no apartamento, enchei meia taça de vinho, olhei-a mas não tomei. Decidi apenas pegar meu edredom e dormir. A vergonha me assustava quando de repente ouvi alguém bater na porta. O que mais poderia acontecer?
Arrastei-me até a porta, mas não sozinha, a ressaca fazia-me companhia. Hesitante abri a porta e para minha surpresa, o rapaz boêmio do bar, estava ali, parado, com aquele lindo sorriso torto. Esquecestes teu coração ao sair, disse ele entregando-me uma caixa, trouxe para você. Seus olhos eram calorosos e cheios de mistério e enrubesci, sem graça. Ele me beijou até que eu adormecesse, mas quando o sol já me dava seu bom dia, meus lençóis estavam vazios. Sua música me abraçou, suavizadas com as notas angelicais daquele piano, perfurando minha tranqüilidade já ausente.
Voltei ao meu transe inicial, sorrindo com mais freqüência do que me é possível, em êxtase. Aquele foi meu primeiro encontro com o moço do bar.
Todos os dias eu venho ao mesmo lugar,
Às vezes fica longe, impossível de encontrar
Mas quando o Bourbon é bom
Toda noite é noite de luar.
(Piano Bar - Engenheiros do Hawaii)
