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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Eu já fiz sua escolha!






Ele: Alô.

Ela: Oi. Queria dizer algumas coisas, mas não vai demorar. Eu prometo.

Ele: (silêncio)

Ela: Só liguei pra falar que eu tenho sentido muito a sua falta.

Tentei te esquecer com festas, novas amizades ou até mesmo encontrar alguém diferente, alguém que conseguisse tirar você de vez da minha cabeça, acima de tudo do meu coração, mas ninguém era como você, ninguém tinha a risada rouca como a sua, ninguém segurou a minha mão como você segurava.

Sei que não é mais da sua conta, mas nos últimos anos estive ocupada vivendo atrás dos meus sonhos. Conquistando, aos pouquinhos, os desejos que sempre te disse que queria pra mim. Viajei pelo país, larguei o emprego que tanto me fazia mal, fiz novas amizades, abandonei outras, estou planejando minha viagem para o Canadá, pensando na minha mobília nova ou em como vou cuidar direitinho de uma yorkshire...

Nunca consegui enterrar tudo o que sentia por você e dessa forma nunca nasceram flores novas por aqui. Pode parecer bobagem, mas nos primeiros dias, todas as noites antes de dormir, eu fazia questão de lembrar todos os meus erros os quais você apontava e achava bobagem, inadmissível alguém como eu ter tantos defeitos. Tentava me convencer de que você nunca foi o cara certo pra mim e que o nosso amor foi só mais um dos meus erros típicos de romântica sonhadora que acredita em príncipe encantado e amor eterno. Depois de tanto tempo percebi que você estava certo e eu era tão imatura!

Encontrei você diversas vezes. Na balada, nas viagens, no elevador, na livraria, no metrô, naquele show da minha banda preferida que você prometeu me levar... Não era você... Era a parte de você que ainda ocupava um lugar enorme dentro de mim.

Essa coisa de conquista parece bem mais divertida e legal nesses filmes de comédia romântica. Falo isso porque tenho tido uma aversão enorme desses carinhas que têm se aproximado de mim. Acho que um medo que eles consigam descobrir minhas maiores qualidades e não desistam de me conquistar. Tento me esforçar a mostrar meus √defeitos², mas não tem dado muito certo. Você sabe como consigo ser educada mesmo com raiva.

Faz uma falta danada aquela nossa sinceridade, a segurança que só você conseguia transmitir ou de quando nos olhávamos e dispensava qualquer legenda ou de como sonhávamos com nossos filhos, com a nossa casa, nosso casamento e nosso final feliz, velhinhos, agarradinhos e rindo de nossas próprias rugas. Seu jeito mandão, sério e de como eu conseguia te fazer rir e ser feliz... Saudades dos apelidos nada a ver que nos dávamos. Eu quis aproveitar mais a vida, ter mais liberdade e achei que isso fosse suficiente... não é!

Fico pensando como estaria a nossa vida agora se nada disso tivesse acontecido, mas de uma coisa tenho certeza, nessa vida ou na próxima, sempre vamos nos encontrar, mesmo que sem querer. Vamos nos olhar sempre e vamos ter certeza de que fomos feitos um para o outro.

Nunca achei certo a gente deixar o destino escolher por nós, ir embora enquanto o amor segue adiante. Jamais poderia imaginar que isso de Romeu e Julieta continuaria a existir na modernidade. Não quero que a minha vida seja o livro preferido das futuras gerações.

Eu já falei demais como sempre. É isso! E pode ficar com o pedaço da minha alma que está contigo, com tanto amor, já não tem mais espaço dentro de mim. 

(ela desliga).

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Pra ele. Só dele.


Eu queria ser um papel bem colorido, desses que não desbotam quando molham, só pra te fazer sorrir todas as manhãs em dias de chuva. Dias esses em que reluto, dou uma volta enorme no quarteirão só pra não dar bandeira demais perto de ti e não encontrar os olhos teus, mas fico aqui esperando o momento em que você por acaso vai passar pertinho de mim.
Ah se tu soubesses menino, que não precisas de chave de diamantes para abrir meu coração... Sei que reluto, crio obstáculos, digo que não me importo, mas você sempre aparece para arrebentar todas as correntes que me envolve, mas existem coisas que você precisa saber sobre mim:
Que às vezes apareço de repente só pra te ver e invento uma desculpa qualquer.
Que em dois mil e dez chorei o ano inteiro, mas assim que dois mil e onze bateu na porta foi por ti que sorri.
Que mesmo quando eu digo não, quero dizer sim, tem muito espaço na minha vida pra ti!
Que daquela vez e todas as outras vezes que te vi, senti que saiam fagulhas de dentro de mim quando você me tocava. E que quando eu soube que não conseguiria descrever essas fagulhas em palavras, comecei a suspirar canções de amor pra aliviar a dor que em meu coração gritava quando estava longe de você.
Que a tua voz é mansa, que o teu sorriso brilha e teu olhar desmonta quando me vê.
Que eu tenho um amor que ainda me faz chorar e ter medo a cada dois meses, mas é apenas saudades. Acho que é isso o que sinto quando tudo se vai.
Que dificilmente me apaixono, mas quando me apaixono preciso me doar por inteiro.
Que eu gostaria de conhecer o mundo todinho ao seu lado.
Que até hoje eu nem ao menos sei o seu nome e você o meu.
Que eu já deixei de estudar só pra ir ao teu encontro.
Que eu escrevo muito sobre amor, mas não falo muito sobre.
Que eu sou louca por você e você nem desconfia. E pergunta-se se um dia ainda vai me conquistar...
Que eu gosto de certezas, rotinas, mas não me importaria em voar se fosse essa a única forma de estar perto de ti.
Que eu gosto mais de ti pela manhã, quando o teu charme reclama do sono.
Que eu nunca atendi tuas ligações porque ainda nem tenho o teu número de telefone.
Que eu disfarço bem dizendo bomdiatudobemcontigo? quando na verdade quero dizer podessegurarminhasmãoseternamente.
Que aquele dia em que nos vimos tão de perto, pude guardar teu sorriso perfeitamente em minha memória.
Que eu não ligo se meus enormes brincos enroscarem em teu paletó se esse for um motivo pra te abraçar.
Que eu tenho me sentado em muitas mesas de bar, porque gosto da sujeira que fica no fim da noite, cheias de amor e poesia.
Que eu ando pensando tanto em ti que as borboletas caem na minha taça de vinho e eu às vezes acabo engolindo umas e outras sem perceber.


E que se tu me perguntastes, eu diria sim, claro que sim. Eu não poderia ter conhecido alguém melhor e nem mais bonito agora.

Menino, vai me amando daí, eu te amando daqui, que daqui à pouco passo aí para um beijo de dar.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Um Conto de Fadas Atual


 
 
Eu não deveria estar ali e sabia bem disso. Nosso último encontro não tinha sido como eu pensaria que fosse. Não que eu tivesse passado dias pensando no encontro perfeito, mas certamente não sonhava com aquela reação típica de uma pessoa imatura. Confesso que ia desistir, mas meu sangue audacioso de ariana correndo nas veias foi mais forte e o máximo que poderia acontecer era uma carona forçada. Sim, eu poderia lidar com isso! Aguardei ansiosamente a sua vinda, até porque aquele não era um lugar que me trazia tanta tranqüilidade. Fim de tarde e o Centro estava lotado, as pessoas corriam e as luzes eram brancas provenientes dos comércios que ainda não tinham fechado. Ele saberia, assim que eu entrasse no carro, que eu não me importava com ele e eu já tinha ensaiado minha fuga caso seu olhar, sua expressão fosse de decepção. Passava o horário e eu ansiei correr para casa, para minha vida tranqüila... Mas o silêncio que fazia no meu quarto me fez recuar.
 Logo ele chegou e eu tentei esconder a frustração, mas aquele seu olhar impregnou meu corpo, fazendo me sorrir por dentro e devolvendo luzes à minha alma. O carro parou, ele desceu e caminhou ao meu encontro, despreocupado e tranqüilo. Como sempre, antes de me olhar ele sorria e passava a mão carinhosamente nos meus cabelos. Nunca entendi o porquê disso e não me arrisquei perguntar, mas eram longos segundos de silêncio, como se sua alma reconhecesse a minha e soubesse que enfim achou seu lugar no mundo.  Fechei os olhos e relaxei o corpo, como sempre fazia antes de um beijo seu. Depois suspirou e olhou para mim com um dos seus melhores sorrisos e impulsivo, agarrou-me os braços num abraço apertado.  Eu só me lembro de acordar na manhã seguinte, com o sol clareando um quarto de paredes azuis claras. Ele estava ali, ao meu lado, meu anjo de sorriso brilhante e olhava-me como quem olha alguém que jamais verá novamente, como uma despedida. Ele deu-me um beijo na testa e passei meus braços pela cintura dele, pousando a cabeça em seu peito e ouvindo seu coração. Foram minutos que pareciam uma eternidade, até quando finalmente cai em mim e percebi que não podia estar ali, que a vida corria lá fora e que meu coração não é prioridade.
Espreguicei-me algumas vezes e levantei-me. Vesti uma roupa quente, pois fazia frio lá fora. Blush, rímel, cabelos presos e quando terminei todo o meu ritual feminino, senti um cheiro bom de bolo de chocolate e café expresso.  Caminhei em direção à porta e ele estava lá como uma estátua, bobo, com um sorriso de canto, tímido, com a minha primeira refeição nas mãos. Um vento frio arrepiou os pêlos da minha nuca e então senti a necessidade de abraçá-lo. Ele me olhava apaixonado e apenas sorriu e disse: “– A semana inteira eu não te tenho, mas eu bem sei que não te olharei hoje apenas de longe. Hoje vou abraçá-la, beijá-la quantas vezes eu bem quiser. Hoje é sábado minha querida, o nosso dia...” Aquele sorriso me incendiou a alma e lhe sorri igual. Tinha perdido a noção do tempo e não teria uma desculpa para partir como fazia sempre, mas ao contrário do outro dia, naquele momento senti que as borboletas voltavam a morar no meu estômago e pude ver a felicidade, esquecendo-me de como é sentir as lágrimas no rosto ou a queimação da raiva.  Aos meus olhos tudo era belo, tudo era poesia. Não me sentia presa à ele, raramente falamos de sentimentos, mesmo sabendo o que sentimos pelo outro. É apenas um conto de fadas atual. Apenas fragmentos de um para sempre só nosso.