domingo, 28 de novembro de 2010

Cinema Mudo



Estreando: Coração Gelado.

Já quase meia-noite quando acordei. Abri os olhos e lá estava ele, em um tom roxo claro, submerso dentro de um pequeno frasco de vidro, cheinho de pedras de gelo. Lá estava aquele o qual eu havia desistido: meu coração. A noite lá fora era só silêncio e a chuva escorria levemente pelo telhado. Levantei ansiando uma xícara de café. Sim! Tenho feito da noite o meu dia e pela manhã meu corpo voraz pede uma taça de vinho tinto suave sem gelo, antes de dormir, porque só assim conseguiria sobreviver ao topor que você fazia em minhas noites de insônias. Um gole de café quente desceu queimando minha garganta. Belo contraste me fez sentir, sou a garota gelada, aquela que não possui mais um coração. Decidi por arrancá-lo logo depois que você foi embora. Pra quê ia querer algo morto dentro de mim? Há muito tempo ele não batia mais, nem bombeava o sangue que não corre mais entre minhas veias.  
Na escrivaninha busco companhia dos livros, nas palavras soltas, nas letras de Chico que viraram notas musicais... Estou quase explodindo com tantos pensamentos presos, minhas vontades guardadas a sete chaves, o doce dentro de mim hoje é enjoativo demais e a acidez já não está tão dosada... Estou pensando em tudo o que você já sabe.  É insuportável entender suas metáforas quando o meu termômetro de emoções está desligado.  Olhando para a xícara de café afogo-me em pensamentos. Sempre achei que você sabia exatamente aquilo que eu estava pensando e de tanto que eu penso não sentes meu peso em ti? Como eu queria ter asas para que este fardo se tornasse mais leve. Ah, falando em anjo, não posso esquecer-me de dizer o quão lindo você fica quando sorri.
Só queria chegar e te abraçar sem um por que, sentir aquele cheirinho do perfume que tu usas o qual eu adoro. Preciso de um motivo novamente para sentir-me viva entende? E foi hoje que, mesmo sem coração, ao te ver, algo aqui dentro deu sinal e eu respirei aliviada. Esquece o café! Preciso de uma taça de vinho. Não! Preciso de uma garrafa inteira, só assim as palavras fluem melhor. Gosto de excessos porque cansei de viver de metades. Minha alma é cheia de segredos, mas espalha todos quando encontra a tua, quando estamos dormindo, naqueles dias em que você sabe, sou teu último pensamento antes de dormir. Só assim, você ainda vem até mim, só assim ainda posso te sentir, só assim...
Eu fico aqui escrevendo, roendo as unhas, até que você chega da faculdade e eu me lembro do teu cavanhaque que tanto me enlouquece. Olha só! Derramei vinho no celular. Calma, não estou enrolando é que estou tentando falar, que eu preciso muito que você saiba... Já são cinco horas da manhã? Já está quase amanhecendo, logo agora que em seus sonhos você segurava a minha mão. Ô menino, como você me faz bem! E o que eu queria mais te contar antes de ir é sobre os céus e as estrelas que vejo em teu olhar, luzes que fervilha minha alma. Hoje me vejo como o cinema de antigamente. Minha voz calou-se... Gestos e expressões mudas me acompanham.  Preciso ir, está quase na hora de você acordar, mas antes de partir do teu quarto, te olho antes que acorde e resolvo arriscar algumas palavras, observando teus olhinhos de conchas, tua boca semi-aberta, digo num sopro que te faz tremer inteiro:
- Eu amo você, menino!
Sim, sei o que estais a pensar. Mas é verdade! Sempre que pensas em mim antes de dormir passo noites inteiras ao teu lado, enquanto você brinca com as minhas mãos sonhando. Nessas horas eu estou tão feliz que não quero mais voltar, mas seria muito arriscado, eu poderia ficar presa pra sempre ao teu lado, enquanto você segue sua vida. Seria meu último suspiro no momento em que você acordasse.
Lembro-me dos nossos primeiros sorrisos. Caiam borboletas do céu e você me convidou a fazer parte da sua vida. Lembra?
Agora preciso ir menino, mas contigo deixo uma canção de ninar.

E hoje eu descobri
O quanto eu te quero
Ursinho de dormir
Vem que eu te espero assim
Eu hei de conquistar
Teu coração durão demais
Que não quis pagar pra ver
Nem dá o braço a torcer.
[Armandinho]

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

E eles NÃO foram felizes para sempre...



Escrevo pela necessidade que tenho de organizar as idéias, mas, sobretudo, a alma. Essa que anda sem freio por aí, arremessadas ao breu, em transe.. Tuas palavras sempre chegam a mim em forma de pancada, de forma a doer meu corpo inteiro, desde o menor fio de cabelo à ponta dos pés e foi com essa dor que me olhei nesta manhã no espelho. Ele mostrava o reflexo externo de um coração dormente de tanto que já doeu. Coração esse que já não se move mais pelo amor. E sabe o que mais me dói? É ser assim tão conectada a você à ponto de decifrar teu silêncio, sentir tuas tristezas e ainda, a saudade que tens da época em que era feliz comigo. Senti uma lágrima teimando sair de meus olhos, mas a matei, antes que ganhasse vida e chovesse. É que às vezes tenho vontade de te acusar de tudo, deste bloco de gelo o qual me tornei e das pessoas que ainda vou magoar injustamente... Mas você não cabe em si mesmo e a sua vida solitária é a tua maior prisão.
Hoje em dia eu sento num baquinho de praça qualquer e me ponho a cantar baixinho as músicas que me atrai coisas lindas, pessoas lindas, sentimentos lindos, porque a vida em si é linda de ser vivida e saber viver é um dom que poucos têm. Por isso te deixei partir, para arrancar de mim esse sopro de vida doente que carregava dentro de mim. Você me estragava, sempre me fazendo voltar atrás em decisões ou fazendo tuas vontades e hoje em dia eu escolhi viver tudo e você não consegue fazer o mesmo. Há quase quatro anos antes disso tudo, do que mais tenho saudade hoje é do mês de setembro, por ser o mês em que mais amei em toda a minha vida e hoje apenas te desejo uma vida repleta de coisas boas e um novo amor, principalmente.
Por gostar tanto de escrever, às vezes ainda me faltam palavras. A maioria gastei nas muitas despedidas que tivemos e que ainda temos. Não há adeus que apague o que vivemos quando a palavra certa deveria ser apenas “Prospere”! Sabes que prefiro insistir no que é belo: eu fuço, pinto, escrevo, fotografo e estou ensaiando fazer mágicas para fazer as pessoas sorrirem... Essa tem sido a mais difícil, porém não impossível, das 1001 coisas que preciso fazer antes de morrer.
Continuo surtando, tomando atitudes inesperadas as quais não me arrependo no dia seguinte, mas carrego comigo aquela caixinha cheia de sorrisos sem motivo, lágrimas descuidadas repletas de poesias, planos de futuro planejado entre essa ou aquela brincadeira boba, mas também meu coração que agora bate sem a mesma intensidade, fora do meu peito e o teu sorriso... Sorriso que ficou perdido no caminho daquela trilha sonora colorida de vermelho, que hoje em dia é cinza para ti!
Resumindo em poucas palavras os vários sentimentos que tenho desde tua despedida dentro de mim... Era uma vez uma moça que brigou com um rapaz do qual gostava. Ele disse muitas palavras ruins, mas acabou matando o mais puro amor apenas com o silêncio. Depois disso passou várias vezes na porta da minha casa e não me olhou. Chorei não uma, mas várias vezes e perguntei-me o que seria de mim se não existissem as lágrimas? A dor partiria? As lágrimas devem ser o amor escorrendo, morrendo pelos olhos. E foi assim, o amor escorreu tanto pelos meus olhos que num belo dia o coração estava vazio, oco, apenas repleto de um líquido avermelhado que apenas o mantém vivo.
Se doeu? Doeu! Explodi em amor e discordo do poeta que disse que amor só é bom se doer. Para mim o amor só é bom se me fizer rir à toa, ter a vontade de tocar o céu e sentir o reluzir de uma estrela no meu sorriso apaixonado, estando apenas há dois passos do Paraíso....
Quanto à você, jogue fora todo sentimento de um amor passado. Pense nas novas flores das primaveras que estão por vir. Para mim, guarde apenas as borboletas, do frio na barriga, dos grandes amores que virão!

Talvez a chuva possa um dia voltar a cair, mas se viveres de sorrisos, pode ser que apenas serene.
As mais belas histórias de amor dos filmes terminam em lágrimas depois do “FIM!”
A nossa foi apenas mais uma dessas histórias que não terminou com “FELIZES PARA SEMPRE”.

E para terminar a história, como em todo filme de amor: “E eles NÃO foram felizes para sempre...”

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Borboletas na Madrugada



Vou contar-lhes meu maior segredo: sou capaz de estar em dois lugares ao mesmo tempo:
Constantemente, alterno-me entre onde estou fisicamente e espiritualmente.
Posso até estar apenas me procurando... querendo estar, um pouco mais, comigo mesma...
Não sei... só sei que consigo!
Parece que o meu céu está escuro, só tem estrelas e eu procurando o sol aos tropeços..
Quando chega o meio da semana, tenho minha fase de desespero.
Meus olhos são anônimos meio à neblina do novo dia.
Caminho inventando palavras para a minha nova trilha sonora.
Sim, uma nova estação (re)começa e eu aqui escrevendo naquilo que chamam de alma.
Sou diferente, mas igual à todo mundo.
Todos temos algo em comum: o sentir.
Antes de escrever, de tocar o papel, pensei em aprender a tocar piano ou violão.
Só pra ver um sorriso no cantinho dos lábios teus rindo das minhas 'barbeirices'.
Porque teus olhos tristes ainda permanecem em cima dos meus.
E é assim que os meus olhos têm enchergado....
Tocar no amor? Nunca! A mim só resta lê-lo e ouví-lo!
Ele é apenas uma porcelana que enfeita as ruas!
Eu vou "passarinhar" enquanto viro borboleta!
Preciso ir, tentar me (re)conhecer, mas volto, para contar como foi.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Lágrimas e Chuva



Se o amor fosse o prato principal de uma refeição, qual seria seu ponto perfeito?  O amor tem disso: destruição por ser demais e sem qualquer efeito se for de menos. Que força é essa que o amor tem ao despedaçar dois corações que se amam? São inúmeras lágrimas que descem pela face que já não sorri e o peso da mala que carrega tudo, mas se esquece do principal, aquele que não vai. Ela e o amor brigaram e ela partiu.
Ela sempre voltava quando a raiva ia embora e esta não tardava. A saudade maltratava e as chamas queimavam o peito, e ela voltava. Entrava novamente na casa, jogava a mala no chão em um cômodo qualquer e o olhava. Ele a olhava com o coração machucado, com o silêncio que não ousava falar, saudade quente... Mas amar tem que realmente doer o tempo inteiro?
Novas discussões sempre acabam reabrindo as antigas cicatrizes e as cenas repetiam-se como um filme que reprisava: passos, lágrimas, gritos, silêncio... Ela arrumava a mala e saia novamente da casa com rio de lágrimas descendo pelo rosto. Aquele dia a raiva não passaria, nada voltaria ao normal e ela sabia. Nesse dia ela não recuou, não olhou para trás e nem ao menos se despediu, apenas levou o amor consigo. Só assim o coração dele não ia mais se ferir, nem chorar e sua vida continuaria.  
E todo sábado é assim, ela se lembra deles dois e para ela é o dia mais difícil sem ele. Ela busca em seus pensamentos a imagem da luz do amor que vinha dos olhos dele, mas só acha o fogo que se apagou. Sempre chove nos seus olhos, mas no seu coração queima uma vontade de abraçá-lo, abraçar alguém que nunca vai chegar.
Hoje seus dias são vazios, suas noites são longas, pois com ele ela via a eternidade tão nitidamente e apesar das dificuldades em realizar seus sonhos, ela acreditava que o amor mostraria o caminho certo, como se fosse uma estrela guia.
Ela nunca pediu para ele nada além do seu amor e ele sabia o quanto ela o amava. O mundo pode mudar sua vida toda, completamente, mas nada vai mudar o seu amor por ele. A chuva pode até molhar seu rosto, mas nada esconde o quanto ela chorou, não esconde o seu olhar, olhar de um alma já velha, cheia de ressentimentos e desilusões.
Sem ela sua vida será incompleta, mas agora tudo o que resta são perguntas de como seria suas vidas, se não fossem mais estranhos um ao outro.
A chuva lavou o passado, deixando apenas as cicatrizes.
Ela fugiu por amar demais.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Piano Bar

      
    Era noite de terça-feira e eu andava atordoada, zonza pelas calçadas frias e desertas. Se fosse uma noite comum eu teria medo, já era bem tarde, mas naquela noite o único medo era da minha própria companhia. Já tinha o caminho certo para ir: o bar iluminado que ficava bem no centro, próximo ao pequeno lago. Mesmo com um turbilhão de pensamentos, não pude deixar de pensar na idéia nada perfeita de construir-se um bar perto de um lago, mas... As luzes do lado de fora do bar deixava-me tonta, mas seu interior era cômodo, convidativo e meu corpo arrastou-se para dentro, ainda esbarrando em alguém que passava.
          Whisky com gelo, pedi ao sentar. O barman serviu-me, desviando o olhar para um senhor que o chamava na mesa vizinha, mas antes que ele virasse totalmente, empurrei a bebida adentro num gole só. Mais uma dose mais forte, por favor, porque hoje tive um dia difícil! Ele me olhou e sorriu enquanto colocava outro copo de whisky com gelo na minha frente. Nunca pensei que um dia daria explicações à um barman. Sou uma mulher adulta independente e tenho todo o direito de beber quantos copos de whisky quiser, até mesmo uma garrafa inteira!
          Mas meu mau-humor temporário passou na mesma velocidade em que veio. Era a imagem daquele ser bem no fundo do bar que acarinhava meus olhos, desmanchando cada pedaço do topor que vivia há tempos em minha alma ou seria a bebida que já chegara em minha cabeça, formigando cada um dos meus pensamentos?
          Suas mãos deslizavam suavemente pelo piano em sintonia com as palavras que saíam de suas bocas como mel. Que canção era aquela? Não conseguia ouvir! Como estava arrependida de ter bebido aquele whisky e não saborear cada nota musical que saía daqueles lábios singelos. Poderia ter apenas chorado um pouco e depois engolido o choro entre vinhos e cigarros baratos no meu apartamento, assistindo pela milésima vez “Lendas da Paixão”. Como? Enlouqueci de vez. Não bebo vinhos baratos, sou contra filmes “mamão com açúcar” e não, eu não fumo!
          Por fim aquela melodia chegou aos meus ouvidos. Sim! Ele levantou-se e veio cantar na mesa em que estava. Poderia me apaixonar por cada pedacinho daquele corpo, poderia ser dele o máximo de amor que o meu coração poderia dar, mas, o que ele fazia ali cantando para mim? Hesitei e não soltei as milhares de palavras pousadas em minha boca que só esperavam a oportunidade se serem jorradas de uma vez só a qualquer um que ousasse tirar-me do seu silêncio habitual.
          Mas aqueles olhos verdes cheios de malícia e aquelas mãos que seguravam as minhas mãos ao som daquela linda melodia fizeram-me tomar uma decisão: olhei para o barman, entreguei-lhe uma nota qualquer que tirei da bolsa e corri apressada, derrubando uma chuva de lágrimas por onde passava. Cheguei no apartamento, enchei meia taça de vinho, olhei-a mas não tomei. Decidi apenas pegar meu edredom e dormir. A vergonha me assustava quando de repente ouvi alguém bater na porta. O que mais poderia acontecer?
          Arrastei-me até a porta, mas não sozinha, a ressaca fazia-me companhia. Hesitante abri a porta e para minha surpresa, o rapaz boêmio do bar, estava ali, parado, com aquele lindo sorriso torto. Esquecestes teu coração ao sair, disse ele entregando-me uma caixa, trouxe para você. Seus olhos eram calorosos e cheios de mistério e enrubesci, sem graça. Ele me beijou até que eu adormecesse, mas quando o sol já me dava seu bom dia, meus lençóis estavam vazios. Sua música me abraçou, suavizadas com as notas angelicais daquele piano, perfurando minha tranqüilidade já ausente.
          Voltei ao meu transe inicial, sorrindo com mais freqüência do que me é possível, em êxtase. Aquele foi meu primeiro encontro com o moço do bar.


Todos os dias eu venho ao mesmo lugar,
Às vezes fica longe, impossível de encontrar
Mas quando o Bourbon é bom
Toda noite é noite de luar.
(Piano Bar - Engenheiros do Hawaii)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Um Conto de Fadas Atual


 
 
Eu não deveria estar ali e sabia bem disso. Nosso último encontro não tinha sido como eu pensaria que fosse. Não que eu tivesse passado dias pensando no encontro perfeito, mas certamente não sonhava com aquela reação típica de uma pessoa imatura. Confesso que ia desistir, mas meu sangue audacioso de ariana correndo nas veias foi mais forte e o máximo que poderia acontecer era uma carona forçada. Sim, eu poderia lidar com isso! Aguardei ansiosamente a sua vinda, até porque aquele não era um lugar que me trazia tanta tranqüilidade. Fim de tarde e o Centro estava lotado, as pessoas corriam e as luzes eram brancas provenientes dos comércios que ainda não tinham fechado. Ele saberia, assim que eu entrasse no carro, que eu não me importava com ele e eu já tinha ensaiado minha fuga caso seu olhar, sua expressão fosse de decepção. Passava o horário e eu ansiei correr para casa, para minha vida tranqüila... Mas o silêncio que fazia no meu quarto me fez recuar.
 Logo ele chegou e eu tentei esconder a frustração, mas aquele seu olhar impregnou meu corpo, fazendo me sorrir por dentro e devolvendo luzes à minha alma. O carro parou, ele desceu e caminhou ao meu encontro, despreocupado e tranqüilo. Como sempre, antes de me olhar ele sorria e passava a mão carinhosamente nos meus cabelos. Nunca entendi o porquê disso e não me arrisquei perguntar, mas eram longos segundos de silêncio, como se sua alma reconhecesse a minha e soubesse que enfim achou seu lugar no mundo.  Fechei os olhos e relaxei o corpo, como sempre fazia antes de um beijo seu. Depois suspirou e olhou para mim com um dos seus melhores sorrisos e impulsivo, agarrou-me os braços num abraço apertado.  Eu só me lembro de acordar na manhã seguinte, com o sol clareando um quarto de paredes azuis claras. Ele estava ali, ao meu lado, meu anjo de sorriso brilhante e olhava-me como quem olha alguém que jamais verá novamente, como uma despedida. Ele deu-me um beijo na testa e passei meus braços pela cintura dele, pousando a cabeça em seu peito e ouvindo seu coração. Foram minutos que pareciam uma eternidade, até quando finalmente cai em mim e percebi que não podia estar ali, que a vida corria lá fora e que meu coração não é prioridade.
Espreguicei-me algumas vezes e levantei-me. Vesti uma roupa quente, pois fazia frio lá fora. Blush, rímel, cabelos presos e quando terminei todo o meu ritual feminino, senti um cheiro bom de bolo de chocolate e café expresso.  Caminhei em direção à porta e ele estava lá como uma estátua, bobo, com um sorriso de canto, tímido, com a minha primeira refeição nas mãos. Um vento frio arrepiou os pêlos da minha nuca e então senti a necessidade de abraçá-lo. Ele me olhava apaixonado e apenas sorriu e disse: “– A semana inteira eu não te tenho, mas eu bem sei que não te olharei hoje apenas de longe. Hoje vou abraçá-la, beijá-la quantas vezes eu bem quiser. Hoje é sábado minha querida, o nosso dia...” Aquele sorriso me incendiou a alma e lhe sorri igual. Tinha perdido a noção do tempo e não teria uma desculpa para partir como fazia sempre, mas ao contrário do outro dia, naquele momento senti que as borboletas voltavam a morar no meu estômago e pude ver a felicidade, esquecendo-me de como é sentir as lágrimas no rosto ou a queimação da raiva.  Aos meus olhos tudo era belo, tudo era poesia. Não me sentia presa à ele, raramente falamos de sentimentos, mesmo sabendo o que sentimos pelo outro. É apenas um conto de fadas atual. Apenas fragmentos de um para sempre só nosso.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Um Livro Aberto, na Página 28 (Meu Aniversário)






O relógio tinha o ponteiro pequeno em cima do número cinco e o maior no quarenta e três. Acordei olhando pela janela e vi no alto a luz fraquinha do sol que como eu, acordava devagarzinho. Era começo de um novo dia, a sexta-feira, meu dia preferido da semana e ainda melhor por ser um dia em que muitos chamam de meu: Meu Aniversário! Completo vinte e oito primaveras. Sentei-me na cama e abracei as pernas. O quarto estava frio e senti a necessidade de voltar para debaixo do cobertor ou para um abraço com gostinho de cobertor. Fechei os olhos, mas não para dormir, sabia que essa tentava seria em vão: o trabalho estava me esperando; fechei porque na escuridão consigo sonhar melhor e imaginei meu lindo anjo da guarda, com seus olhos tranqüilos de estrelas cadentes constantes. Arrepiei-me, não pelo frio, mas porque ele realmente estava ali, ao meu lado e trazia em suas mãos um coração, vermelho, como se fosse pintado e entregou-me. Como sinto saudades daquele anjo que me ligava às seis horas da manhã todos os anos nesta data tão especial. Tenho a certeza que lá do Céu, hoje ele também se fez presente na minha vida. Dei-lhe meu abraço mais apertado e suspirei, precisava render-me também às pessoas que mais amo nesta vida. Olhei-me no espelho e ele me mostrava a mesma menina e que ainda gosta das mesmas coisas. Ouvir Feliz Aniversário antes das sete da manhã, das pessoas que você mais ama na vida e de um serzinho preto pequeno de quatro patas é o melhor presente de aniversário que Deus poderia me dar.
Desejos? Pra quê? Talvez não tenha mais o que pedir. Sorrisos bobos, dias de proximidade e acerto. Enfim, talvez esteja acertando nas escolhas e decidi comemorar meu pré-aniversário com todos os meus amigos de faculdade, aqueles os quais não via há quase um ano, aqueles em que as histórias já têm sabor de saudades. Meu pedido de aniversário talvez venha atrasado e eu não me importo muito com o tempo que levará, contanto que venha, o importante é que hoje é o meu dia, um dia só meu, um dia de sorrisos, de parabéns sinceros, vindo de pessoas que moram perto, de pessoas que moram longe, de pessoas especiais e de pessoas que nem imaginavam o quanto são especiais. Estou gostando disso e tenho certeza que gostarei ainda mais desta noite: jantarzinho num lugar especial, com pessoas especiais que tanto amo. As borboletas estão voltando à morar no meu estômago... Não há nada no mundo que eu mais goste do que ser: de ser boba, de falar besteiras, de arrancar sorrisos, de fazer palhaçadas, de por apelidos... Estou buscando viver a vida, não a deixo mais presa em gaiolas. Estas são apenas minhas poucas palavras, meus rabiscos, uma espécie de “obrigada” por todo esse carinho e o dia ainda mal começou...


"São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora."
[Drummond]

sábado, 27 de março de 2010

Um Minuto de Silêncio



O relógio marca 14h04min. Neste momento muitos executivos reúnem-se em seminários sobre “Globalização e Direitos Humanos". Pessoas fazem seus almoços rápidos no Mac Donald’s onde estragam-se quilos de comida ao lado de favelas onde moram pessoas miseráveis.  Um homem anda pela calçada, cabisbaixo ao retornar ao trabalho após suas férias, apenas por necessidade e não por satisfação. Uma mulher trabalha no jardim de sua casa, feliz com o seu novo laptop da Apple. Pessoas embarcam animadas num navio chique e bastante iluminado para um Cruzeiro de uma semana pelo litoral do país. Um menino de aproximadamente dois anos de idade, todo sujo, chora no meio de um entulho, com fome, enquanto seus pais catam comida lixo para a primeira refeição do dia. Uma mulher serve-se de vinho e sorvete no restaurante, comemorando sua promoção após a apresentação de um novo projeto na empresa multinacional em que trabalha. Um homem baixinho e de óculos pega seu suco de laranjas em uma reunião de negócios tarde da noite e pensa qual o sentido de estar ali, podendo estar em casa com a esposa e os filhos. Em algum lugar da África, um grupo de vinte meninos sentam-se em círculo e começam a conversar para esquecer dos problemas sociais que o cercam. No interior do país duas crianças pequenas deitam em suas redes, num quartinho de uma casa de palha, porque não possuem televisão e nem brinquedos, enquanto sua mãe saiu batendo de porta em porta para vender Avon. Um homem sorri sozinho dirigindo, no meio de um engarrafamento... acabou de comprar o novo Volvo da Toyota. Façamos um minuto de silêncio por todas as pessoas que estão passando minutos de dor e sacrifício. Um minuto de silêncio por nossos passos de liberdade perdidos, pelas vozes que não ouvimos e pelos ventos que não sentimos. Um minuto de silêncio pelos guerrilheiros, missionários... pessoas que dão valor à vida e que fazem das suas lutas seu próprio orgulho e a realização de sonhos. Um minuto de silêncio pelas lembranças, memórias que o tempo nos enterrou. Um minuto de silêncio por todas as pessoas que amamos e que partiram de nossas vidas, pessoas que Deus levou para um mundo ainda desconhecido para nós. Um minuto de silêncio pelo destino que ainda teremos. Um minuto de silêncio pela responsabilidade que cada um tem sobre a criminalidade. Um minuto de silêncio pela Mãe Natureza, que morre um pouco a cada dia. Um minuto de silêncio para o fim do desemprego, violência, criminalidade, poluição, desigualdade social, fome, prostituição, corrupção, trabalho infantil e a melhoria da educação, habitação e saúde. Um minuto de silêncio pelo mundo que vai, vai e vai indo sem sabermos em que ponto vai chegar.
Um minuto de silêncio. Eu só te peço um minuto de silêncio para refletir sobre o seu papel no mundo.
Um minuto de silêncio é tão pouco para tanto. O luto seria o mais apropriado.

sábado, 20 de março de 2010

Fragmentos I



- Oi... – disse ela timidamente assim que o viu.
- Pensei ter ouvido você me chamar... – comentou ele, por fim sentando-se ao lado dela. Suspirou o mais profundo ar tirado da alma e tremendo segurou suas mãos nas de Vivian.
- Eu sinto muito por te chamar sem motivo aparente desta vez. Descobri que fico sufocada e sem fala toda vez que você sai por aquela porta depois de me incendiar com estas estrelas vivas dentro dos teus olhos. Erick, meu coração grita pelo teu nome. Grita na mais pura agonia quando não estais perto de mim, mas quando te aproximas, eu esqueço por um tempo que não posso amar-te. Esqueço que és um anjo...
Ela baixou à vista ao chão e deixou que suas mãos a aquecesse naquela noite fria. Tal como as nuvens pesadas de chuva no céu, seus olhos eram só lágrimas e seu coração pulava. Era o único som que ouvia-se dentro do quarto. Lá fora as árvores balançavam descompassadamente com o vento que ao longe trazia um temporal.
Ele nada fez a não ser abraçá-la forte, horas adentro, até que ela se acalmasse. Por fim, quando a chuva chegou e o coração de Vivian não mais gritava, ele quebrou o silêncio.
- Não chores não, minha vida. Não quero que peça desculpas ou lamentes porque me queres aqui. Sempre venho de bom grado, sabes disso e sabes também que toda a sua angústia involuntariamente se faz minha também. Não vês que quando teus olhos choram tuas mágoas os meus também te acompanham? Sempre que te vejo triste aqui venho e quando chego aqui não gosto do que vejo...
- Sei bem que não posso te amar e por desejar tamanho sentimento me dói tanto... Sinto raiva de mim mesma. Destruo as belezas do teu mundo e causo transtornos em teu caminho e não estou sendo sensata em querer ferir ainda mais você ao sentir o quão triste estou!
- Tú és tudo o que de mais belo já conheci neste mundo e por assim ser, esta noite vim despedir-me de ti.
Vivian saltou da velha cadeira forrada com tecido de veludo azul a qual estava sentada. Tentou de alguma forma absorver as últimas palavras e o silêncio que agora tocava como melodia de uma provável despedida.
- É um adeus? – perguntou enfim sabendo que era o melhor a ser feito ao mesmo tempo em que o coração ansiava ouvir uma negação como resposta.
Erick caminhou três passos silenciosos, observou a janela do quarto onde já escorriam as primeiras lágrimas de uma chuva que adentraria a noite, fechou os olhos e com um suspiro respondeu:
- Minha vida, chegará o dia em que iremos nos encontrar e será para sempre. Para mim que tenho toda uma eternidade pela frente, demorará muito tempo, mas para ti logo chegará. – ele soltou um sorriso tímido depois das palavras numa voz de música.
Vivian conhecia bem aquele sorriso tímido. Era uma resposta impressa do que queria dizer que ele devia partir e logo em seguida confirmou seus pensamentos, pois num piscar de olhos Erick já não estava mais ali. Neste momento ela olhou pela janela e a chuva, como por um milagre, havia parado. A lua aparecia por entre as nuvens e as estrelas ainda estavam ocultas.
A noite estaria realmente perfeita, mas ele não estava mais ali.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A Mulher Moderna e o Mundo Virtual

 

Antigamente os homens trabalhavam para encher a geladeira e o único papel da mulher era cuidar da casa, dos filhos e ser a musa dos maridos. Nem preciso dizer que isso foi muito antigamente!
O tempo caminhou, na verdade, voou. A mulher atual recebe o nome de Mulher Moderna, título que se dá às mulheres que todos os dias pulam cedo de suas camas ao mesmo tempo em que lêem o jornal e tomam seu café; estão com uma mão no volante e a outra no batom, maquiando-se com a ajuda do retrovisor; no trabalho deparam-se com um zilhão de ligações, fornecedores, chefes e precisam estar atraentes, cheirosas e lindas. Ah e antes que eu me esqueça: unhas feitas, cabelos escovados e ao mesmo tempo segura de si mesma.
 A Mulher Moderna não sonha tanto com maternidade e casamento quanto sonhavam suas mães e avós. Estão mais preocupadas em conquistar espaço, reconhecimento, sucesso pessoal e profissional juntamente com a última inovação de depilação sem dor e medicamentos mais fortes para cólicas e se possível, “dor no coração”. Mas é claro! A Mulher Moderna não tem tempo para pensar em decepções amorosas.
Apesar do trabalho cansativo, ainda sobra o rápido horário de almoço, aqueles míseros minutos para uma olhada rápida nas vitrines do shopping mais próximo, em busca do vestido, sapatos, lingeries, perfume perfeitos para o encontro de sábado à noite. Encontro esse que nasceu de um bate-papo casual em um site de relacionamentos. Sim, a Mulher Moderna sempre está “antenada” com as últimas notícias, candidatos às eleições, campeão do último torneio de futebol e todas as fofocas relacionadas aos amigos mais próximos e mais distantes, contando aquela pulada de muro do marido da melhor amiga. Chato! Mas a vida continua.
Assim como as notícias correm, suas vidas também e foi dessa forma que o seu atual “encontro” ficou sabendo que ela estava solteira novamente. Solteira não! Estava aberta à um novo relacionamento. A Mulher Moderna não tem mais estado civil, pelo menos a grande maioria. Isso de estar solteira ou namorando não existe mais! São emocionalmente independentes. Os assédios, paqueras, acontecem de forma virtual mesmo, numa espécie de “entrevista seletiva”. O homem que tiver o melhor papo, fisicamente atraente (avaliados por fotos) e uma vida financeira estável, merece uma chancezinha no sábado à noite.
Nesse encontro podem acontecer duas situações: ou ele acerta na mosca tudo o que a Mulher Moderna precisa ouvir para gerar outro novo encontro ou é descartado, não terá outra oportunidade e que venha o próximo! Alguns intitulam mulheres assim como vulgares, mas muitas não estão nem um pouco preocupadas, não perdem tempo com futilidades, antes elas simplesmente choravam, hoje traem sem um pingo de remorso. Então, caro cromossomo Y, se você ficou de ligar na sexta à noite, ligue, ou estará assinando seu atestado de “chifrudo” e correndo o risco de ser com aquele seu melhor amigo, aquele ser atraente e disponível que você apresentou à sua musa na última festinha.
E mais um conselho: não seja inseguro e grudento. A Mulher Moderna gosta de liberdade, lógico que em pequenas doses; e rotina não é bem sua melhor opção. Leve-a à lugares novos, troquem e-mails e telefonemas inesperados, não dê mancadas, deixe-a saber que você quer protegê-la, amá-la e assim ela pensará várias vezes antes de trocá-lo pelo novo paquera da internet que está implorando por um jantar há vários dias.
Sexta-Feira, final de expediente. A Mulher Moderna corre para seus trabalhos domésticos: lavar, passar, faxinar, cozinhar... Errado! Happy Hour marcado com as amigas, ali no bar, pra tomar aquele chopinho gelado, aquela caipirinha e fazer confissões umas às outras. Lógico queridos! Aquela boa ação de mandar flores no último aniversário ainda vai ser motivo de chacota e risos e com certeza o mais novo e atraente chefe do RH contratado pela empresa será minuciosamente detalhado por horas!
A evolução no tempo para as mulheres teve suas vantagens e desvantagens. Ops! Falei em desvantagens? Poucas talvez encarem dessa forma, mas a maioria continua lutando por seus direitos e têm o dinamismo e a ternura como principais características, sem perder a beleza e o amor.
PS: Uma homenagem a todas nós mulheres pelo nosso dia. Feliz Dia da Mulher.


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Eu sou o sonho dele


            Eu tinha acabado de fazer aniversário, quando pela primeira vez o vi, mas já havia ouvido falar muito dele. Estava viajando para aproveitar as férias de fim de ano, quando percebi sua presença no ônibus, próximo a mim. Ele era do tipo que fazia sucesso entre as garotas e eu, moça tímida, que ficava feliz e admirada apenas em vê-lo sorrindo ou cercado da sua nuvem costumeira de fumaça. Ora, não podia ser tão perfeito assim! Mas para minha surpresa, naquele dia, eu fui a garota que chamou a atenção dele e só percebi isso porque ele constantemente me olhava, deixando-me sem graça com aquela troca de olhar insistente.
          Mas não foi nesse dia que trocamos as nossas primeiras palavras, foi bem depois. Apenas chegamos à rodoviária de Ouro Preto e cada um seguiu o seu caminho.
          Foi numa noite de céu estrelado, eu caminhava pelas ruas da cidade, encantada com cada detalhe daquela cidade histórica. Respirava profundamente cada pedacinho de ar que adentrava em meus pulmões. Cheirinho de história, amores proibidos, velhas igrejas e o sofrimento da Inconfidência Mineira. Decididamente estava certa de que queria passar o resto da minha vida ali, aquela cidade parecia parte de mim.
          E foi assim, cominhando, contemplando, pensando que ele surgiu na minha frente. Aquele sorriso torto que me estonteava, dentes perfeitos e aquele olhar! Ah aquele olhar que mais parecia uma chama. Queimava-me por dentro.
          Ele segurou minha mão, feliz como se tivesse sonhado por dias com aquele momento e convidou-me a sentar num banquinho de madeira próximo à Igreja Nossa Senhora do Carmo. Que vista linda tive da maior parte da cidade. Lembro-me que as pessoas caminhavam pelas ruas, deslumbradas como eu, com suas sacolas cheias de lembrancinhas da cidade histórica. Carregavam, nem que fosse assim, um pedaço da velha Ouro Preto.
          Como se me conhecesse há muito tempo, ele contou-me que havia terminado um namoro e não transpareceu tristeza quando eu disse-lhe que estava namorando um rapaz. Ele confessou-me, naquele momento que, estava diante da pessoa que queria conviver, fazer planos, freqüentar minha casa e que não conseguiria mais ficar distante de mim. Eu o admirava em tudo e já estava completamente apaixonada, sentia medo de perdê-lo, mas eu ainda estava namorando, não me parecia correto. E no fim das férias, quando retornei à minha cidade natal, prometi a ele que voltaria em um ano e a gente viveria a felicidade que nos estava destinada.
          Passaram-se um, dois, três anos. Não havia desistido daquele amor, mas também não consegui desfazer-me rapidamente da vida cômoda em que vivia. Ainda não consegui. Foi com ele que eu descobri o que é o verdadeiro amor, foi para ele que eu fiz os meus primeiros versos...
Semana passada ele me escreveu uma carta. Nela dizia que ele ainda sonha com o meu cheiro, com o perfume dos meus cabelos lavados, com a minha voz doce, minhas palavras gentis. Sonha com as minhas mãos macias, minhas unhas bem cuidadas e pele lisinha... Ele sonha ainda com o meu sorriso, com o meu temperamento, minhas constantes mudanças de humor, do meu modo de ver a vida. Ele disse mais, escreveu algo que profundamente nunca esperei ouvir de ninguém: que o nosso amor será além da eternidade.
          Assim como eu, ele sabe que somos perfeitos um para o outro, que somos a idealização de um sonho que antes era distante. Sou covarde demais para viver tudo isso, mesmo acreditando. Decidi apenas deixar o destino agir. Rezar para que um dia ele me encontre na rua, ou em um shopping, ou em uma festa, ou em uma livraria, olhe bem fundo dos meus olhos e me salve desta vida que não escolhi, mas por ser fraca demais, não consigo abandonar. Sou o sonho dele, ele é o meu sonho. Eu sou o sonho de alguém, e eu só preciso esperar ele me encontrar para então realmente existir, para com um beijo ele me trazer para a realidade.
          Pare de sonhar. Já está na hora de acordar! Acordar para mim...