Se o amor fosse o prato principal de uma refeição, qual seria seu ponto perfeito? O amor tem disso: destruição por ser demais e sem qualquer efeito se for de menos. Que força é essa que o amor tem ao despedaçar dois corações que se amam? São inúmeras lágrimas que descem pela face que já não sorri e o peso da mala que carrega tudo, mas se esquece do principal, aquele que não vai. Ela e o amor brigaram e ela partiu.
Ela sempre voltava quando a raiva ia embora e esta não tardava. A saudade maltratava e as chamas queimavam o peito, e ela voltava. Entrava novamente na casa, jogava a mala no chão em um cômodo qualquer e o olhava. Ele a olhava com o coração machucado, com o silêncio que não ousava falar, saudade quente... Mas amar tem que realmente doer o tempo inteiro?
Novas discussões sempre acabam reabrindo as antigas cicatrizes e as cenas repetiam-se como um filme que reprisava: passos, lágrimas, gritos, silêncio... Ela arrumava a mala e saia novamente da casa com rio de lágrimas descendo pelo rosto. Aquele dia a raiva não passaria, nada voltaria ao normal e ela sabia. Nesse dia ela não recuou, não olhou para trás e nem ao menos se despediu, apenas levou o amor consigo. Só assim o coração dele não ia mais se ferir, nem chorar e sua vida continuaria.
E todo sábado é assim, ela se lembra deles dois e para ela é o dia mais difícil sem ele. Ela busca em seus pensamentos a imagem da luz do amor que vinha dos olhos dele, mas só acha o fogo que se apagou. Sempre chove nos seus olhos, mas no seu coração queima uma vontade de abraçá-lo, abraçar alguém que nunca vai chegar.
Hoje seus dias são vazios, suas noites são longas, pois com ele ela via a eternidade tão nitidamente e apesar das dificuldades em realizar seus sonhos, ela acreditava que o amor mostraria o caminho certo, como se fosse uma estrela guia.
Ela nunca pediu para ele nada além do seu amor e ele sabia o quanto ela o amava. O mundo pode mudar sua vida toda, completamente, mas nada vai mudar o seu amor por ele. A chuva pode até molhar seu rosto, mas nada esconde o quanto ela chorou, não esconde o seu olhar, olhar de um alma já velha, cheia de ressentimentos e desilusões.
Sem ela sua vida será incompleta, mas agora tudo o que resta são perguntas de como seria suas vidas, se não fossem mais estranhos um ao outro.
A chuva lavou o passado, deixando apenas as cicatrizes.
Ela fugiu por amar demais.

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