domingo, 28 de fevereiro de 2010

A Mulher Moderna e o Mundo Virtual

 

Antigamente os homens trabalhavam para encher a geladeira e o único papel da mulher era cuidar da casa, dos filhos e ser a musa dos maridos. Nem preciso dizer que isso foi muito antigamente!
O tempo caminhou, na verdade, voou. A mulher atual recebe o nome de Mulher Moderna, título que se dá às mulheres que todos os dias pulam cedo de suas camas ao mesmo tempo em que lêem o jornal e tomam seu café; estão com uma mão no volante e a outra no batom, maquiando-se com a ajuda do retrovisor; no trabalho deparam-se com um zilhão de ligações, fornecedores, chefes e precisam estar atraentes, cheirosas e lindas. Ah e antes que eu me esqueça: unhas feitas, cabelos escovados e ao mesmo tempo segura de si mesma.
 A Mulher Moderna não sonha tanto com maternidade e casamento quanto sonhavam suas mães e avós. Estão mais preocupadas em conquistar espaço, reconhecimento, sucesso pessoal e profissional juntamente com a última inovação de depilação sem dor e medicamentos mais fortes para cólicas e se possível, “dor no coração”. Mas é claro! A Mulher Moderna não tem tempo para pensar em decepções amorosas.
Apesar do trabalho cansativo, ainda sobra o rápido horário de almoço, aqueles míseros minutos para uma olhada rápida nas vitrines do shopping mais próximo, em busca do vestido, sapatos, lingeries, perfume perfeitos para o encontro de sábado à noite. Encontro esse que nasceu de um bate-papo casual em um site de relacionamentos. Sim, a Mulher Moderna sempre está “antenada” com as últimas notícias, candidatos às eleições, campeão do último torneio de futebol e todas as fofocas relacionadas aos amigos mais próximos e mais distantes, contando aquela pulada de muro do marido da melhor amiga. Chato! Mas a vida continua.
Assim como as notícias correm, suas vidas também e foi dessa forma que o seu atual “encontro” ficou sabendo que ela estava solteira novamente. Solteira não! Estava aberta à um novo relacionamento. A Mulher Moderna não tem mais estado civil, pelo menos a grande maioria. Isso de estar solteira ou namorando não existe mais! São emocionalmente independentes. Os assédios, paqueras, acontecem de forma virtual mesmo, numa espécie de “entrevista seletiva”. O homem que tiver o melhor papo, fisicamente atraente (avaliados por fotos) e uma vida financeira estável, merece uma chancezinha no sábado à noite.
Nesse encontro podem acontecer duas situações: ou ele acerta na mosca tudo o que a Mulher Moderna precisa ouvir para gerar outro novo encontro ou é descartado, não terá outra oportunidade e que venha o próximo! Alguns intitulam mulheres assim como vulgares, mas muitas não estão nem um pouco preocupadas, não perdem tempo com futilidades, antes elas simplesmente choravam, hoje traem sem um pingo de remorso. Então, caro cromossomo Y, se você ficou de ligar na sexta à noite, ligue, ou estará assinando seu atestado de “chifrudo” e correndo o risco de ser com aquele seu melhor amigo, aquele ser atraente e disponível que você apresentou à sua musa na última festinha.
E mais um conselho: não seja inseguro e grudento. A Mulher Moderna gosta de liberdade, lógico que em pequenas doses; e rotina não é bem sua melhor opção. Leve-a à lugares novos, troquem e-mails e telefonemas inesperados, não dê mancadas, deixe-a saber que você quer protegê-la, amá-la e assim ela pensará várias vezes antes de trocá-lo pelo novo paquera da internet que está implorando por um jantar há vários dias.
Sexta-Feira, final de expediente. A Mulher Moderna corre para seus trabalhos domésticos: lavar, passar, faxinar, cozinhar... Errado! Happy Hour marcado com as amigas, ali no bar, pra tomar aquele chopinho gelado, aquela caipirinha e fazer confissões umas às outras. Lógico queridos! Aquela boa ação de mandar flores no último aniversário ainda vai ser motivo de chacota e risos e com certeza o mais novo e atraente chefe do RH contratado pela empresa será minuciosamente detalhado por horas!
A evolução no tempo para as mulheres teve suas vantagens e desvantagens. Ops! Falei em desvantagens? Poucas talvez encarem dessa forma, mas a maioria continua lutando por seus direitos e têm o dinamismo e a ternura como principais características, sem perder a beleza e o amor.
PS: Uma homenagem a todas nós mulheres pelo nosso dia. Feliz Dia da Mulher.


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Eu sou o sonho dele


            Eu tinha acabado de fazer aniversário, quando pela primeira vez o vi, mas já havia ouvido falar muito dele. Estava viajando para aproveitar as férias de fim de ano, quando percebi sua presença no ônibus, próximo a mim. Ele era do tipo que fazia sucesso entre as garotas e eu, moça tímida, que ficava feliz e admirada apenas em vê-lo sorrindo ou cercado da sua nuvem costumeira de fumaça. Ora, não podia ser tão perfeito assim! Mas para minha surpresa, naquele dia, eu fui a garota que chamou a atenção dele e só percebi isso porque ele constantemente me olhava, deixando-me sem graça com aquela troca de olhar insistente.
          Mas não foi nesse dia que trocamos as nossas primeiras palavras, foi bem depois. Apenas chegamos à rodoviária de Ouro Preto e cada um seguiu o seu caminho.
          Foi numa noite de céu estrelado, eu caminhava pelas ruas da cidade, encantada com cada detalhe daquela cidade histórica. Respirava profundamente cada pedacinho de ar que adentrava em meus pulmões. Cheirinho de história, amores proibidos, velhas igrejas e o sofrimento da Inconfidência Mineira. Decididamente estava certa de que queria passar o resto da minha vida ali, aquela cidade parecia parte de mim.
          E foi assim, cominhando, contemplando, pensando que ele surgiu na minha frente. Aquele sorriso torto que me estonteava, dentes perfeitos e aquele olhar! Ah aquele olhar que mais parecia uma chama. Queimava-me por dentro.
          Ele segurou minha mão, feliz como se tivesse sonhado por dias com aquele momento e convidou-me a sentar num banquinho de madeira próximo à Igreja Nossa Senhora do Carmo. Que vista linda tive da maior parte da cidade. Lembro-me que as pessoas caminhavam pelas ruas, deslumbradas como eu, com suas sacolas cheias de lembrancinhas da cidade histórica. Carregavam, nem que fosse assim, um pedaço da velha Ouro Preto.
          Como se me conhecesse há muito tempo, ele contou-me que havia terminado um namoro e não transpareceu tristeza quando eu disse-lhe que estava namorando um rapaz. Ele confessou-me, naquele momento que, estava diante da pessoa que queria conviver, fazer planos, freqüentar minha casa e que não conseguiria mais ficar distante de mim. Eu o admirava em tudo e já estava completamente apaixonada, sentia medo de perdê-lo, mas eu ainda estava namorando, não me parecia correto. E no fim das férias, quando retornei à minha cidade natal, prometi a ele que voltaria em um ano e a gente viveria a felicidade que nos estava destinada.
          Passaram-se um, dois, três anos. Não havia desistido daquele amor, mas também não consegui desfazer-me rapidamente da vida cômoda em que vivia. Ainda não consegui. Foi com ele que eu descobri o que é o verdadeiro amor, foi para ele que eu fiz os meus primeiros versos...
Semana passada ele me escreveu uma carta. Nela dizia que ele ainda sonha com o meu cheiro, com o perfume dos meus cabelos lavados, com a minha voz doce, minhas palavras gentis. Sonha com as minhas mãos macias, minhas unhas bem cuidadas e pele lisinha... Ele sonha ainda com o meu sorriso, com o meu temperamento, minhas constantes mudanças de humor, do meu modo de ver a vida. Ele disse mais, escreveu algo que profundamente nunca esperei ouvir de ninguém: que o nosso amor será além da eternidade.
          Assim como eu, ele sabe que somos perfeitos um para o outro, que somos a idealização de um sonho que antes era distante. Sou covarde demais para viver tudo isso, mesmo acreditando. Decidi apenas deixar o destino agir. Rezar para que um dia ele me encontre na rua, ou em um shopping, ou em uma festa, ou em uma livraria, olhe bem fundo dos meus olhos e me salve desta vida que não escolhi, mas por ser fraca demais, não consigo abandonar. Sou o sonho dele, ele é o meu sonho. Eu sou o sonho de alguém, e eu só preciso esperar ele me encontrar para então realmente existir, para com um beijo ele me trazer para a realidade.
          Pare de sonhar. Já está na hora de acordar! Acordar para mim...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Dor em Pedaços

 


Eu poderia apenas te contar da minha vida, mas hoje, como os outros, o dia amanheceu cinza, o tempo chorou mais uma vez. Poderia te contar que as nuvens carregadas no céu são um grande contraste ao sol e ao calor que faz todos os dias e eu odeio ver o que é lindo quando tudo é dor aqui dentro.
           Poderia te contar do passarinho que canta para me acordar todas as manhãs, ou do grilo que me acordou bruscamente ao soltar sobre a minha cama noite passada, sabes o quanto eu tenho medo!
          Poderia te contar que o meu animalzinho de estimação morreu, acho que ele cansou de me ver chorar e que agora o novo bichinho me vê chorar sempre. Acho que até me acompanha nessa sintonia.
         É claro que o mundo tenta de várias maneiras me confortar, mas apesar de sua companhia, tudo ainda é muito triste, fraco, difícil de aliviar, de continuar, de ser simples, nada é fácil. Tenho apenas passado os dias, mas não me sento e vejo a vida passar, doeria ainda mais.
         Aquele anjo que esteve na minha vida sempre ficará. É o que eu penso e todas as noites sonho com a presença de um alguém que era constante, coisa que você deve saber de cor e salteado, pois sempre soubes que era esse anjo na minha vida e eu sempre achei que fosse para sempre.
        Sei que nenhuma dor dura pela eternidade, ela rasga, machuca, sangra, mas deve passar um dia... Enquanto ela não passa e a ferida não para de sangrar, eu olho para a vida. Vida que é bonita de algumas formas, irritante de outras.
        A vida deve ser para ser vivida, as dores não.
        E só fica a vida depois de tudo, a vida depois do amor, depois da dor, e as cores dela vão mudando, hoje cinza, amanhã azul, e depois, quem sabe do depois?
        Eu poderia te contar isso tudo, mas não vou contar. Só o que você precisa saber é que eu ainda te amo. Te amarei pra sempre, e é algo que nunca vai morrer dentro de mim.


P.S. Para quem me fez sorrir e chorar... apenas ignore.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O AMOR está morto e enterrado



Um dia eu já não escutava o som da sua voz ou jamais o vi novamente. Não me comovia mais com aquele olhar triste, vazio, recheado de uma esperança que já não existia. As lembranças que tinha dele eram de mágoa e de dor. Poderia ele viver para sempre? Todos viviam por ele e assim ele tinha todos em suas mãos: o sincero, o nobre e até mesmo o rico. Por ele todos viviam, buscavam, caminhavam até o mais longínquo destino. Esperavam-no num tempo que não passava, por dias, por anos... Sua morte foi como um golpe baixo na auto-estima de todos. E ele morrera ali mesmo nos meus braços. Eu que desejava tê-lo dito tanta coisa, porém calei-me, desde o primeiro momento de seu sofrimento. Palavras já não faziam nenhum sentido!  As lágrimas morriam sobre a minha face ao mesmo tempo em que me perguntava se este seria o auge do meu sofrimento, ver a quem eu tanto tinha carinho partir e conviver apenas com as doces lembranças daquela época em que tudo era apenas o princípio. Os amigos chegaram e lamentaram o sucedido. Cobriram o “corpo” com os mais lindos lírios colhidos no jardim de minha cidade e vestiram-no com a roupa mais antiga retirada do baú. Sim, aquela que ele vestia no nosso primeiro encontro o qual ainda guardo as fotos. Todos me diziam apenas que aquela era a vontade de Deus, mas recusei-me a ir a seu funeral. Não mais iria chorar e nem desejava ser abraçada e amparada naquele momento de dor. Palavras de consolo não me arrancariam do peito a dor da despedida, o adeus, enquanto que meu último desejo era apenas que ele estivesse no céu com os mais belos anjos. Raras vezes fui visitá-lo desde o último dia, pois sempre que ia e me olhava no espelho via lástima, mágoa, silêncio presos em minha face.  Tormentos que jamais me deixaram e, mas quando vou sempre levo flores que transmitem a saudade que ainda rasga meu peito, clama meu coração. A morte deveria ser um ponto final, então porque vive em estado de puro gelo? Perguntas invadem a minha alma, indagando sentimentos sem sentido. Será que ele morreu ou será que eu o matei? A dor suaviza com o tempo? Ele ainda está dentro de mim? Escondido? Guardado? Lembro-me bem daquele dia. Sinto muito, ouvi de um “especialista”, ele, o amor, morreu... Aquele que viveu ao teu lado e não te reconheceu. Eu só conseguia pensar que era um vírus no coração. Daqueles que faz chorar, doer e deixa aquela enorme e feia cicatriz para sempre tatuada na alma. O mundo não pode terminar ali, nas mãos daquele amor que já morreu. Mas o que mais dói não é ele ter partido, o que me incomoda é ele ter ido e ter deixado sua ausência como companhia. E agora todas as sombras que vejo são só saudade. Saudade que já nem me faz falta. Só uso a palavra saudade porque soa bonito. A noite estava cinza e formava uma chuva visível apenas ao meu coração. Lembro-me que aquele dia eu dormi, mas antes bebi o restinho de vinho no copo, brindei com a solidão e fechei os olhos, com o porta-retrato sem a foto do amor na cabeceira da minha cama.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Cor do Pecado

 

Pecado que cor tu tens?
Cor de um beijo molhado?
Cor de foto antiga, borrada?
Pecado, cor da beleza...
Mas que cor tem a tristeza?
Cor de um corpo moreno enlouquecido.
A cor do teu cheiro inebriante, do teu corpo delgado, de um sussurro no ouvido.
A cor do sabor do doce, fino e especial...
Pecado é sentir saudades dos teus lábios e não beijá-los.
Pecado é desejar ter asas e não voar no encanto da doce poesia.
Pecado é elogiar um mau texto sem o ler.
É forjar a ocasião do beijo roubado e não o ter.
Pecado é ser tolo, é mentir, é não viver a experiência!
É pensar mal dos outros e não avaliar a si mesmo.
Pecado é não praticar o bem, é ser escravo.
É ser estúpido e nada agradável.
Pecado é não resistir à tentação do doce e viver no fel.
Pecado é querer sofrer e não viver para o Céu!
Pecado são pedaços de desejos escondidos na pele.
São segredos escondidos na alma.
Paixões não vividas, paixões esquecidas.
Sonhos possíveis escondidos em obscuras vontades...
Pecado é ficar em silêncio quando surge o amor de verdade.
Pecado é não poder ver os olhos de um anjo,
Anjo que possui seu coração.
 Pecado é não estar contigo, se vivo para ti!
Pecado que cor tu tens?
Tua cor é vermelha.
Vermelho como o puro ardor.
Vermelho como a lágrima doce, salgada, de qualquer sabor!
Vermelho como beijo na chuva.
Vermelho como vinho feito de uva.
Vermelho como o pensamento impuro desenhado no papel.
Pecado, qual é o seu pequeno pecado?
O meu é desejar um anjo. Anjo que é a minha tentação.
Pecado é pecar e não pedir perdão!
É viver na escuridão.