Embora ainda fosse cedo, já sabia o que o destino tinha reservado para aquele dia. Foram apenas alguns muitos anos e vários quilômetros de distância do meu coração para o teu mesmo a poucos metros um do outro. Meus olhos já estavam apertados, as lágrimas já ameaçavam cair, o coração apertado...
Todo esse tempo juntos foi o suficiente para aprender a te amar, a te abraçar com tamanha vontade, a ser amiga e te apoiar enquanto você aprendia a viver. Compartilhar nossas dores do passado e apenas enxergar que a vida só dependia de mim e de você. Mas nem todo o amor foi motivo para colocares seus medos e orgulho de lado, a aprender a pedir perdão, perdoar e deixar de reclamar. A fortaleza que inventei para nos proteger, as pedrinhas que joguei na nossa estrada, as flores leves e delicadas do nosso jardim para facilitar nosso caminho difícil, não foi o bastante para que você conseguisse enxergar nitidamente o que sempre esteve à sua frente: o meu amor por ti. Estou murcha, triste, seca e com saudades de um amor que nunca tive, que nunca foi realmente meu. Amor que nunca terei, amor que nunca serei, amor que é impossível substituir. Minha última esperança estava na pergunta que selaria nosso destino, a pergunta feita diversas vezes, mas que naquele momento não foi proferida: “-Você me ama? Você ainda me ama? Pelo amor de Deus diga que ainda me ama!” Supliquei várias vezes, esperando apenas carinho e um “sim” como respostas. Mas o silêncio e um olhar frio foi apenas o que veio de ti. A indiferença enquanto meus olhos se perdiam em lágrimas traduzindo a seca em que se encontrava meu coração. Foi a última vez que estivemos juntos. E naquela manhã acordei com o amargo sabor do féu preso ao meu coração, já sabia que não haveria mais outro amanhã ao teu lado e mesmo com o coração machucado meus passos dirigiram-se pelas ruas. Olhava pela última vez todos os lugares que visitamos, que sorrimos juntos, que fomos felizes... Saudades dos abraços, das trocas de olhares, mas sempre pouco toque... Lembranças e recordações vinham rapidamente em meus pensamentos quando te vi bem ali diante de mim, com aquela ao teu lado. Ela segurava a tua mão, você não segurava a dela. Ela tinha carinho, paixão por ti e você só queria passar o tempo. Ela sorria para ti e você pensava no trabalho do dia seguinte. Você me olhou e naquele instante arrependeu-se, mas era tarde demais. Mas a culpa não é sua, não é culpa minha. Somos invisíveis um ao outro. Cadeiras distantes. Sede no deserto. Segunda e sexta-feira...
Mesmo sabendo que ainda existia um amor forte, verdadeiro e machucado; fiz as malas, olhei pela última vez a nossa vida, senti-me abraçada por ti e ouvi o canto de um passarinho... Ele cantava a trilha sonora dos meus passos de liberdade em direção à luz, em direção à um novo caminho, porque agora eu não preciso construir uma fortaleza, nem jogar pedrinhas numa estrada ou plantar flores leves e delicadas em algum jardim para facilitar os obstáculos... Nesse novo caminho surgiu, alguém, que há tempos me esperava e preparava isso tudo para mim!
Adeus!





