Já faz muitos meses, anos até. Não sei, não me lembro mais. Mas enfim, hoje criei coragem e abri a velha gaveta. É aquela que fica no fundo, bem no fundo do guarda-roupas, que já está emperrada, por tão pouco uso que ela tem. Segurei a respiração de forma a não ingerir tanto pó que estava ali. Minha alergia agradece. Mas na verdade segurei a respiração porque havia tanto ali do qual sempre fugi, tantas lembranças guardadas por tanto tempo, lembranças essas que me surpreenderam. Busquei na memória a última vez em que abri esta gaveta pra relembrar o passado e não descobri. Mas o que importa? Alguém gosta de usar perfume vencido? Alguém gosta de comer comida estragada? É assim que lido com as lembranças. Só me arrependo de não ter datado, grifado, colocado todas em ordem alfabética, pra quando der saudade me lembrar de quem, onde, como e porque. Remexi um pouco mais e muitas lembranças estavam amarelas, desgastadas com o tempo. Essas foram tão fortes que talvez jamais se apaguem. Sacodi a cabeça, tentando resgatar as memórias, mas foi em vão. Um espaço branco, imemorável, vazio estava em mim. Porque guardei tantas lembranças na gaveta? Qual o objetivo de tirá-las de mim? Muitas foram tão boas... Não havia sentido deixá-las ao lado de lembranças tão vazias, que traziam tanto rancor... Mais uma remexida na gaveta. E lá estava. Uma praia, pirão de peixe, carinho e amor. Bala de morango. Danoninho, brigadeiro, pizza inundada com catchup. Pagode, amigos. Bolos de chocolate, sorvetes de chocolate. Esconde-esconde, vôlei e futebol. Copas do mundo. Fugas da escola, amizades eternas. Viagens, frio, colo de mãe, colo de pai, irmãs que são melhores amigas. Um papagaio especial. Ótimo! Uma gota de lágrima marcou ainda mais as páginas amarelas de um diário velho. Mais uma lembrança na gaveta: o dia de hoje, a marca de uma lágrima derramada de saudades. As lágrimas foram contidas, mas a esperança é infinita em dias melhores que virão. Eles virão, não virão? Num turbilhão de pensamentos achei! Achei a felicidade perdida. Surpreendi-me ao ver sua data. Faz tão pouco tempo... Tempo esse que somam vários anos. Felicidade inocente, felicidade sem medo, felicidade cheinha de esperança. E pensando concluí o que já sabia: das coisas que se foram ainda resta o sabor de saber que agora, de verdade, tudo será mais bonito. Deve ser só o medo que ainda guardo na gaveta. Olhei para o outro canto e achei a força, toda quebrada em pedacinhos... Ainda vai levar um tempo pra juntá-los. Mas a vida é assim, um vinho tinto suave guardado, esperando o momento certo para ser saboreado.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Namore uma garota que leia e que escreva...
Postado por Keyla Galvão às 11:27Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do guarda-roupas, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os onze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Caio Fernando de Abreu. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo de Morangos Mofados. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Machado de Assis, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Fernando Pessoa... Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show do Asa de Águia. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou tomando vinho. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes de personagens e gostos estranhos. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu e a Bela e a Fera, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Pedro Bandeira, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.
Tradução e adaptação – Gabriela Ventura
terça-feira, 24 de maio de 2011
A Estrada Para o Teu Coração
Postado por Keyla Galvão às 08:57As noites estão frias, então cubro-me das saudades remendadas para tentar sonhar contigo. Antes você era o próprio sonho, mas a verdade é que hoje nossos corações não batem no mesmo compasso e tu não me escreves mais aquelas lindas canções de amor. Amor não se empurra com a barriga, ele te carrega no colo, te acarinha... Ele é o sol nos dias de chuva, o brilho escondido da lua por trás das nuvens. É o livre arbítrio.
Sinto falta dos teus pés quentinhos esquentando os meus, teus beijos ardentes e do teu amor aqui dentro de mim, mas hoje nem o café mais quente, nem o próprio fogo conseguem tirar o gelo deste meu coração. Volte a me cobrir de amor, tô com tanto frio sem você...
Se o dia acordar cinzento a gente pinta junto um céu de pura felicidade, um sol de sorrisos e arco-íris com as cores da paixão. Mas pra isso os dois precisam querer, o amor nunca caminha só.
Traga de volta as borboletas ao meu estômago, aquelas que a qualquer momento podem voar. Só você é capaz de sentir o perfume da minha alma, a pura essência do amor.
De qualquer forma hoje caminho na beira da praia, séria, pois meu sorriso ficou dentro do bolso da sua calça há algumas semanas atrás. Ficou com você a parte mais bonita que havia em mim, todas as cores que iluminavam a minha alma. Estou aqui a caminhar tentando roubar toda esta paz que vem do mar.
Não preciso de uma enorme felicidade, dessas que transbordam, derramam... Pode ser uma que caiba no coração ou no máximo do tamanho do teu abraço, na tua medida, do jeito que era naqueles fins de tardes em que você me esperava sorrindo, enchendo-me de beijos sabor de sorvete de maracujá.
Moço, o amor aqui dentro de mim nunca morre, apenas descansa para acordar no outro dia ainda mais forte, bem mais bonito. Por isso, continuo aqui te esperando. Vou colocar meu melhor vestido, juntar todas as esperanças que tenho numa mala, montar na garupa da tua vida, abrir bem os braços para sentir o vento leve bater e me deixar levar com o coração feliz, pois você arranca de mim meus melhores sorrisos todos os dias e transformas meu amor em poesia.
O meu até logo... pelo menos é o que espero.
Quero acordar de manhã
Do teu lado
E aturar qualquer babado
Vou ficar apaixonado
No teu seio aconchegado
Ver você dormindo
E sorrindo
É tudo que eu quero pra mim
Tudo que eu quero pra mim...
Do teu lado
E aturar qualquer babado
Vou ficar apaixonado
No teu seio aconchegado
Ver você dormindo
E sorrindo
É tudo que eu quero pra mim
Tudo que eu quero pra mim...
[♪ A Estrada ♪ - Cidade Negra]
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Pra ele. Só dele.
Postado por Keyla Galvão às 08:05Eu queria ser um papel bem colorido, desses que não desbotam quando molham, só pra te fazer sorrir todas as manhãs em dias de chuva. Dias esses em que reluto, dou uma volta enorme no quarteirão só pra não dar bandeira demais perto de ti e não encontrar os olhos teus, mas fico aqui esperando o momento em que você por acaso vai passar pertinho de mim.
Ah se tu soubesses menino, que não precisas de chave de diamantes para abrir meu coração... Sei que reluto, crio obstáculos, digo que não me importo, mas você sempre aparece para arrebentar todas as correntes que me envolve, mas existem coisas que você precisa saber sobre mim:
Que às vezes apareço de repente só pra te ver e invento uma desculpa qualquer.
Que em dois mil e dez chorei o ano inteiro, mas assim que dois mil e onze bateu na porta foi por ti que sorri.
Que mesmo quando eu digo não, quero dizer sim, tem muito espaço na minha vida pra ti!
Que daquela vez e todas as outras vezes que te vi, senti que saiam fagulhas de dentro de mim quando você me tocava. E que quando eu soube que não conseguiria descrever essas fagulhas em palavras, comecei a suspirar canções de amor pra aliviar a dor que em meu coração gritava quando estava longe de você.
Que a tua voz é mansa, que o teu sorriso brilha e teu olhar desmonta quando me vê.
Que eu tenho um amor que ainda me faz chorar e ter medo a cada dois meses, mas é apenas saudades. Acho que é isso o que sinto quando tudo se vai.
Que dificilmente me apaixono, mas quando me apaixono preciso me doar por inteiro.
Que eu gostaria de conhecer o mundo todinho ao seu lado.
Que até hoje eu nem ao menos sei o seu nome e você o meu.
Que eu já deixei de estudar só pra ir ao teu encontro.
Que eu escrevo muito sobre amor, mas não falo muito sobre.
Que eu sou louca por você e você nem desconfia. E pergunta-se se um dia ainda vai me conquistar...
Que eu gosto de certezas, rotinas, mas não me importaria em voar se fosse essa a única forma de estar perto de ti.
Que eu gosto mais de ti pela manhã, quando o teu charme reclama do sono.
Que eu nunca atendi tuas ligações porque ainda nem tenho o teu número de telefone.
Que eu disfarço bem dizendo bomdiatudobemcontigo? quando na verdade quero dizer podessegurarminhasmãoseternamente.
Que aquele dia em que nos vimos tão de perto, pude guardar teu sorriso perfeitamente em minha memória.
Que eu não ligo se meus enormes brincos enroscarem em teu paletó se esse for um motivo pra te abraçar.
Que eu tenho me sentado em muitas mesas de bar, porque gosto da sujeira que fica no fim da noite, cheias de amor e poesia.
Que eu ando pensando tanto em ti que as borboletas caem na minha taça de vinho e eu às vezes acabo engolindo umas e outras sem perceber.
E que se tu me perguntastes, eu diria sim, claro que sim. Eu não poderia ter conhecido alguém melhor e nem mais bonito agora.
Menino, vai me amando daí, eu te amando daqui, que daqui à pouco passo aí para um beijo de dar.
domingo, 28 de novembro de 2010
Cinema Mudo
Postado por Keyla Galvão às 08:17Estreando: Coração Gelado.
Já quase meia-noite quando acordei. Abri os olhos e lá estava ele, em um tom roxo claro, submerso dentro de um pequeno frasco de vidro, cheinho de pedras de gelo. Lá estava aquele o qual eu havia desistido: meu coração. A noite lá fora era só silêncio e a chuva escorria levemente pelo telhado. Levantei ansiando uma xícara de café. Sim! Tenho feito da noite o meu dia e pela manhã meu corpo voraz pede uma taça de vinho tinto suave sem gelo, antes de dormir, porque só assim conseguiria sobreviver ao topor que você fazia em minhas noites de insônias. Um gole de café quente desceu queimando minha garganta. Belo contraste me fez sentir, sou a garota gelada, aquela que não possui mais um coração. Decidi por arrancá-lo logo depois que você foi embora. Pra quê ia querer algo morto dentro de mim? Há muito tempo ele não batia mais, nem bombeava o sangue que não corre mais entre minhas veias.
Na escrivaninha busco companhia dos livros, nas palavras soltas, nas letras de Chico que viraram notas musicais... Estou quase explodindo com tantos pensamentos presos, minhas vontades guardadas a sete chaves, o doce dentro de mim hoje é enjoativo demais e a acidez já não está tão dosada... Estou pensando em tudo o que você já sabe. É insuportável entender suas metáforas quando o meu termômetro de emoções está desligado. Olhando para a xícara de café afogo-me em pensamentos. Sempre achei que você sabia exatamente aquilo que eu estava pensando e de tanto que eu penso não sentes meu peso em ti? Como eu queria ter asas para que este fardo se tornasse mais leve. Ah, falando em anjo, não posso esquecer-me de dizer o quão lindo você fica quando sorri.
Só queria chegar e te abraçar sem um por que, sentir aquele cheirinho do perfume que tu usas o qual eu adoro. Preciso de um motivo novamente para sentir-me viva entende? E foi hoje que, mesmo sem coração, ao te ver, algo aqui dentro deu sinal e eu respirei aliviada. Esquece o café! Preciso de uma taça de vinho. Não! Preciso de uma garrafa inteira, só assim as palavras fluem melhor. Gosto de excessos porque cansei de viver de metades. Minha alma é cheia de segredos, mas espalha todos quando encontra a tua, quando estamos dormindo, naqueles dias em que você sabe, sou teu último pensamento antes de dormir. Só assim, você ainda vem até mim, só assim ainda posso te sentir, só assim...
Eu fico aqui escrevendo, roendo as unhas, até que você chega da faculdade e eu me lembro do teu cavanhaque que tanto me enlouquece. Olha só! Derramei vinho no celular. Calma, não estou enrolando é que estou tentando falar, que eu preciso muito que você saiba... Já são cinco horas da manhã? Já está quase amanhecendo, logo agora que em seus sonhos você segurava a minha mão. Ô menino, como você me faz bem! E o que eu queria mais te contar antes de ir é sobre os céus e as estrelas que vejo em teu olhar, luzes que fervilha minha alma. Hoje me vejo como o cinema de antigamente. Minha voz calou-se... Gestos e expressões mudas me acompanham. Preciso ir, está quase na hora de você acordar, mas antes de partir do teu quarto, te olho antes que acorde e resolvo arriscar algumas palavras, observando teus olhinhos de conchas, tua boca semi-aberta, digo num sopro que te faz tremer inteiro:
- Eu amo você, menino!
Sim, sei o que estais a pensar. Mas é verdade! Sempre que pensas em mim antes de dormir passo noites inteiras ao teu lado, enquanto você brinca com as minhas mãos sonhando. Nessas horas eu estou tão feliz que não quero mais voltar, mas seria muito arriscado, eu poderia ficar presa pra sempre ao teu lado, enquanto você segue sua vida. Seria meu último suspiro no momento em que você acordasse.
Lembro-me dos nossos primeiros sorrisos. Caiam borboletas do céu e você me convidou a fazer parte da sua vida. Lembra?
Agora preciso ir menino, mas contigo deixo uma canção de ninar.
E hoje eu descobri
O quanto eu te quero
Ursinho de dormir
Vem que eu te espero assim
Eu hei de conquistar
Teu coração durão demais
Que não quis pagar pra ver
Nem dá o braço a torcer.
O quanto eu te quero
Ursinho de dormir
Vem que eu te espero assim
Eu hei de conquistar
Teu coração durão demais
Que não quis pagar pra ver
Nem dá o braço a torcer.
[Armandinho]
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
E eles NÃO foram felizes para sempre...
Postado por Keyla Galvão às 12:43Escrevo pela necessidade que tenho de organizar as idéias, mas, sobretudo, a alma. Essa que anda sem freio por aí, arremessadas ao breu, em transe.. Tuas palavras sempre chegam a mim em forma de pancada, de forma a doer meu corpo inteiro, desde o menor fio de cabelo à ponta dos pés e foi com essa dor que me olhei nesta manhã no espelho. Ele mostrava o reflexo externo de um coração dormente de tanto que já doeu. Coração esse que já não se move mais pelo amor. E sabe o que mais me dói? É ser assim tão conectada a você à ponto de decifrar teu silêncio, sentir tuas tristezas e ainda, a saudade que tens da época em que era feliz comigo. Senti uma lágrima teimando sair de meus olhos, mas a matei, antes que ganhasse vida e chovesse. É que às vezes tenho vontade de te acusar de tudo, deste bloco de gelo o qual me tornei e das pessoas que ainda vou magoar injustamente... Mas você não cabe em si mesmo e a sua vida solitária é a tua maior prisão.
Hoje em dia eu sento num baquinho de praça qualquer e me ponho a cantar baixinho as músicas que me atrai coisas lindas, pessoas lindas, sentimentos lindos, porque a vida em si é linda de ser vivida e saber viver é um dom que poucos têm. Por isso te deixei partir, para arrancar de mim esse sopro de vida doente que carregava dentro de mim. Você me estragava, sempre me fazendo voltar atrás em decisões ou fazendo tuas vontades e hoje em dia eu escolhi viver tudo e você não consegue fazer o mesmo. Há quase quatro anos antes disso tudo, do que mais tenho saudade hoje é do mês de setembro, por ser o mês em que mais amei em toda a minha vida e hoje apenas te desejo uma vida repleta de coisas boas e um novo amor, principalmente.
Por gostar tanto de escrever, às vezes ainda me faltam palavras. A maioria gastei nas muitas despedidas que tivemos e que ainda temos. Não há adeus que apague o que vivemos quando a palavra certa deveria ser apenas “Prospere”! Sabes que prefiro insistir no que é belo: eu fuço, pinto, escrevo, fotografo e estou ensaiando fazer mágicas para fazer as pessoas sorrirem... Essa tem sido a mais difícil, porém não impossível, das 1001 coisas que preciso fazer antes de morrer.
Continuo surtando, tomando atitudes inesperadas as quais não me arrependo no dia seguinte, mas carrego comigo aquela caixinha cheia de sorrisos sem motivo, lágrimas descuidadas repletas de poesias, planos de futuro planejado entre essa ou aquela brincadeira boba, mas também meu coração que agora bate sem a mesma intensidade, fora do meu peito e o teu sorriso... Sorriso que ficou perdido no caminho daquela trilha sonora colorida de vermelho, que hoje em dia é cinza para ti!
Resumindo em poucas palavras os vários sentimentos que tenho desde tua despedida dentro de mim... Era uma vez uma moça que brigou com um rapaz do qual gostava. Ele disse muitas palavras ruins, mas acabou matando o mais puro amor apenas com o silêncio. Depois disso passou várias vezes na porta da minha casa e não me olhou. Chorei não uma, mas várias vezes e perguntei-me o que seria de mim se não existissem as lágrimas? A dor partiria? As lágrimas devem ser o amor escorrendo, morrendo pelos olhos. E foi assim, o amor escorreu tanto pelos meus olhos que num belo dia o coração estava vazio, oco, apenas repleto de um líquido avermelhado que apenas o mantém vivo.
Se doeu? Doeu! Explodi em amor e discordo do poeta que disse que amor só é bom se doer. Para mim o amor só é bom se me fizer rir à toa, ter a vontade de tocar o céu e sentir o reluzir de uma estrela no meu sorriso apaixonado, estando apenas há dois passos do Paraíso....
Quanto à você, jogue fora todo sentimento de um amor passado. Pense nas novas flores das primaveras que estão por vir. Para mim, guarde apenas as borboletas, do frio na barriga, dos grandes amores que virão!
Talvez a chuva possa um dia voltar a cair, mas se viveres de sorrisos, pode ser que apenas serene.
As mais belas histórias de amor dos filmes terminam em lágrimas depois do “FIM!”
A nossa foi apenas mais uma dessas histórias que não terminou com “FELIZES PARA SEMPRE”.
E para terminar a história, como em todo filme de amor: “E eles NÃO foram felizes para sempre...”
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Borboletas na Madrugada
Postado por Keyla Galvão às 00:17Vou contar-lhes meu maior segredo: sou capaz de estar em dois lugares ao mesmo tempo:
Constantemente, alterno-me entre onde estou fisicamente e espiritualmente.
Posso até estar apenas me procurando... querendo estar, um pouco mais, comigo mesma...
Não sei... só sei que consigo!
Parece que o meu céu está escuro, só tem estrelas e eu procurando o sol aos tropeços..
Quando chega o meio da semana, tenho minha fase de desespero.
Meus olhos são anônimos meio à neblina do novo dia.
Caminho inventando palavras para a minha nova trilha sonora.
Sim, uma nova estação (re)começa e eu aqui escrevendo naquilo que chamam de alma.
Sou diferente, mas igual à todo mundo.
Todos temos algo em comum: o sentir.
Antes de escrever, de tocar o papel, pensei em aprender a tocar piano ou violão.
Só pra ver um sorriso no cantinho dos lábios teus rindo das minhas 'barbeirices'.
Porque teus olhos tristes ainda permanecem em cima dos meus.
E é assim que os meus olhos têm enchergado....
Tocar no amor? Nunca! A mim só resta lê-lo e ouví-lo!
Ele é apenas uma porcelana que enfeita as ruas!
Eu vou "passarinhar" enquanto viro borboleta!
Preciso ir, tentar me (re)conhecer, mas volto, para contar como foi.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Lágrimas e Chuva
Postado por Keyla Galvão às 06:21Se o amor fosse o prato principal de uma refeição, qual seria seu ponto perfeito? O amor tem disso: destruição por ser demais e sem qualquer efeito se for de menos. Que força é essa que o amor tem ao despedaçar dois corações que se amam? São inúmeras lágrimas que descem pela face que já não sorri e o peso da mala que carrega tudo, mas se esquece do principal, aquele que não vai. Ela e o amor brigaram e ela partiu.
Ela sempre voltava quando a raiva ia embora e esta não tardava. A saudade maltratava e as chamas queimavam o peito, e ela voltava. Entrava novamente na casa, jogava a mala no chão em um cômodo qualquer e o olhava. Ele a olhava com o coração machucado, com o silêncio que não ousava falar, saudade quente... Mas amar tem que realmente doer o tempo inteiro?
Novas discussões sempre acabam reabrindo as antigas cicatrizes e as cenas repetiam-se como um filme que reprisava: passos, lágrimas, gritos, silêncio... Ela arrumava a mala e saia novamente da casa com rio de lágrimas descendo pelo rosto. Aquele dia a raiva não passaria, nada voltaria ao normal e ela sabia. Nesse dia ela não recuou, não olhou para trás e nem ao menos se despediu, apenas levou o amor consigo. Só assim o coração dele não ia mais se ferir, nem chorar e sua vida continuaria.
E todo sábado é assim, ela se lembra deles dois e para ela é o dia mais difícil sem ele. Ela busca em seus pensamentos a imagem da luz do amor que vinha dos olhos dele, mas só acha o fogo que se apagou. Sempre chove nos seus olhos, mas no seu coração queima uma vontade de abraçá-lo, abraçar alguém que nunca vai chegar.
Hoje seus dias são vazios, suas noites são longas, pois com ele ela via a eternidade tão nitidamente e apesar das dificuldades em realizar seus sonhos, ela acreditava que o amor mostraria o caminho certo, como se fosse uma estrela guia.
Ela nunca pediu para ele nada além do seu amor e ele sabia o quanto ela o amava. O mundo pode mudar sua vida toda, completamente, mas nada vai mudar o seu amor por ele. A chuva pode até molhar seu rosto, mas nada esconde o quanto ela chorou, não esconde o seu olhar, olhar de um alma já velha, cheia de ressentimentos e desilusões.
Sem ela sua vida será incompleta, mas agora tudo o que resta são perguntas de como seria suas vidas, se não fossem mais estranhos um ao outro.
A chuva lavou o passado, deixando apenas as cicatrizes.
Ela fugiu por amar demais.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Piano Bar
Postado por Keyla Galvão às 15:54 Era noite de terça-feira e eu andava atordoada, zonza pelas calçadas frias e desertas. Se fosse uma noite comum eu teria medo, já era bem tarde, mas naquela noite o único medo era da minha própria companhia. Já tinha o caminho certo para ir: o bar iluminado que ficava bem no centro, próximo ao pequeno lago. Mesmo com um turbilhão de pensamentos, não pude deixar de pensar na idéia nada perfeita de construir-se um bar perto de um lago, mas... As luzes do lado de fora do bar deixava-me tonta, mas seu interior era cômodo, convidativo e meu corpo arrastou-se para dentro, ainda esbarrando em alguém que passava.
Whisky com gelo, pedi ao sentar. O barman serviu-me, desviando o olhar para um senhor que o chamava na mesa vizinha, mas antes que ele virasse totalmente, empurrei a bebida adentro num gole só. Mais uma dose mais forte, por favor, porque hoje tive um dia difícil! Ele me olhou e sorriu enquanto colocava outro copo de whisky com gelo na minha frente. Nunca pensei que um dia daria explicações à um barman. Sou uma mulher adulta independente e tenho todo o direito de beber quantos copos de whisky quiser, até mesmo uma garrafa inteira!
Mas meu mau-humor temporário passou na mesma velocidade em que veio. Era a imagem daquele ser bem no fundo do bar que acarinhava meus olhos, desmanchando cada pedaço do topor que vivia há tempos em minha alma ou seria a bebida que já chegara em minha cabeça, formigando cada um dos meus pensamentos?
Suas mãos deslizavam suavemente pelo piano em sintonia com as palavras que saíam de suas bocas como mel. Que canção era aquela? Não conseguia ouvir! Como estava arrependida de ter bebido aquele whisky e não saborear cada nota musical que saía daqueles lábios singelos. Poderia ter apenas chorado um pouco e depois engolido o choro entre vinhos e cigarros baratos no meu apartamento, assistindo pela milésima vez “Lendas da Paixão”. Como? Enlouqueci de vez. Não bebo vinhos baratos, sou contra filmes “mamão com açúcar” e não, eu não fumo!
Por fim aquela melodia chegou aos meus ouvidos. Sim! Ele levantou-se e veio cantar na mesa em que estava. Poderia me apaixonar por cada pedacinho daquele corpo, poderia ser dele o máximo de amor que o meu coração poderia dar, mas, o que ele fazia ali cantando para mim? Hesitei e não soltei as milhares de palavras pousadas em minha boca que só esperavam a oportunidade se serem jorradas de uma vez só a qualquer um que ousasse tirar-me do seu silêncio habitual.
Mas aqueles olhos verdes cheios de malícia e aquelas mãos que seguravam as minhas mãos ao som daquela linda melodia fizeram-me tomar uma decisão: olhei para o barman, entreguei-lhe uma nota qualquer que tirei da bolsa e corri apressada, derrubando uma chuva de lágrimas por onde passava. Cheguei no apartamento, enchei meia taça de vinho, olhei-a mas não tomei. Decidi apenas pegar meu edredom e dormir. A vergonha me assustava quando de repente ouvi alguém bater na porta. O que mais poderia acontecer?
Arrastei-me até a porta, mas não sozinha, a ressaca fazia-me companhia. Hesitante abri a porta e para minha surpresa, o rapaz boêmio do bar, estava ali, parado, com aquele lindo sorriso torto. Esquecestes teu coração ao sair, disse ele entregando-me uma caixa, trouxe para você. Seus olhos eram calorosos e cheios de mistério e enrubesci, sem graça. Ele me beijou até que eu adormecesse, mas quando o sol já me dava seu bom dia, meus lençóis estavam vazios. Sua música me abraçou, suavizadas com as notas angelicais daquele piano, perfurando minha tranqüilidade já ausente.
Voltei ao meu transe inicial, sorrindo com mais freqüência do que me é possível, em êxtase. Aquele foi meu primeiro encontro com o moço do bar.
Whisky com gelo, pedi ao sentar. O barman serviu-me, desviando o olhar para um senhor que o chamava na mesa vizinha, mas antes que ele virasse totalmente, empurrei a bebida adentro num gole só. Mais uma dose mais forte, por favor, porque hoje tive um dia difícil! Ele me olhou e sorriu enquanto colocava outro copo de whisky com gelo na minha frente. Nunca pensei que um dia daria explicações à um barman. Sou uma mulher adulta independente e tenho todo o direito de beber quantos copos de whisky quiser, até mesmo uma garrafa inteira!
Mas meu mau-humor temporário passou na mesma velocidade em que veio. Era a imagem daquele ser bem no fundo do bar que acarinhava meus olhos, desmanchando cada pedaço do topor que vivia há tempos em minha alma ou seria a bebida que já chegara em minha cabeça, formigando cada um dos meus pensamentos?
Suas mãos deslizavam suavemente pelo piano em sintonia com as palavras que saíam de suas bocas como mel. Que canção era aquela? Não conseguia ouvir! Como estava arrependida de ter bebido aquele whisky e não saborear cada nota musical que saía daqueles lábios singelos. Poderia ter apenas chorado um pouco e depois engolido o choro entre vinhos e cigarros baratos no meu apartamento, assistindo pela milésima vez “Lendas da Paixão”. Como? Enlouqueci de vez. Não bebo vinhos baratos, sou contra filmes “mamão com açúcar” e não, eu não fumo!
Por fim aquela melodia chegou aos meus ouvidos. Sim! Ele levantou-se e veio cantar na mesa em que estava. Poderia me apaixonar por cada pedacinho daquele corpo, poderia ser dele o máximo de amor que o meu coração poderia dar, mas, o que ele fazia ali cantando para mim? Hesitei e não soltei as milhares de palavras pousadas em minha boca que só esperavam a oportunidade se serem jorradas de uma vez só a qualquer um que ousasse tirar-me do seu silêncio habitual.
Mas aqueles olhos verdes cheios de malícia e aquelas mãos que seguravam as minhas mãos ao som daquela linda melodia fizeram-me tomar uma decisão: olhei para o barman, entreguei-lhe uma nota qualquer que tirei da bolsa e corri apressada, derrubando uma chuva de lágrimas por onde passava. Cheguei no apartamento, enchei meia taça de vinho, olhei-a mas não tomei. Decidi apenas pegar meu edredom e dormir. A vergonha me assustava quando de repente ouvi alguém bater na porta. O que mais poderia acontecer?
Arrastei-me até a porta, mas não sozinha, a ressaca fazia-me companhia. Hesitante abri a porta e para minha surpresa, o rapaz boêmio do bar, estava ali, parado, com aquele lindo sorriso torto. Esquecestes teu coração ao sair, disse ele entregando-me uma caixa, trouxe para você. Seus olhos eram calorosos e cheios de mistério e enrubesci, sem graça. Ele me beijou até que eu adormecesse, mas quando o sol já me dava seu bom dia, meus lençóis estavam vazios. Sua música me abraçou, suavizadas com as notas angelicais daquele piano, perfurando minha tranqüilidade já ausente.
Voltei ao meu transe inicial, sorrindo com mais freqüência do que me é possível, em êxtase. Aquele foi meu primeiro encontro com o moço do bar.
Todos os dias eu venho ao mesmo lugar,
Às vezes fica longe, impossível de encontrar
Mas quando o Bourbon é bom
Toda noite é noite de luar.
(Piano Bar - Engenheiros do Hawaii)
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